7 de dezembro de 2008

Um recorde polêmico

Por: Keyla Barros - rankbrasil

Em uma época em que muito se discute sobre o trabalho infantil, seus benefícios e malefícios, o mineiro Fernando Ribeiro Álvares, 42 anos, de Belo Horizonte, possui um recorde polêmico, ele é o brasileiro “Mais novo com carteira de trabalho assinada”. A homologação deste recorde foi feita com base em seu primeiro registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), feito em 1977, quando ele tinha 11 anos.

A história de Fernando tem o mesmo enredo de tantas outras histórias de brasileiros de origem humilde. Aos oito anos ele já ajudava na renda familiar vendendo geléia de porta em porta e jornais no semáforo. Aos 10, era cobrador reserva de ônibus. Porém, trabalhar tão jovem foi algo espontâneo para ele. “Comecei a trabalhar movido pelo desejo de ganhar meu próprio dinheiro e de ajudar minha família”, relata.

Mas foi aos 11 anos e sete meses que Fernando teve a primeira oportunidade de um trabalho fixo, embora sem carteira assinada, uma vez que, de acordo com a lei, que vigora até hoje, a CTPS é emitida apenas para pessoas com idade igual ou superior a 14 anos. Por intermédio de um tio, que era gerente de farmácia, ele conseguiu um emprego como auxiliar de serviços gerais na Drogaria União, em Belo Horizonte. Cinco meses depois, o Ministério do Trabalho intensificou a fiscalização nas empresas para coibir as contratações sem registro. Para evitar uma multa, o proprietário da drogaria demitiu Fernando com a promessa de readmissão, assim que ele tivesse a CTPS.

O período era de ditadura e os militares ocupavam os órgãos governamentais como o Ministério do Trabalho. Fernando explicou sua situação para um sargento e depois um capitão, sem sucesso. Sua última chance era convencer o tenente-coronel responsável. “Contei que era arrimo de família para minha mãe e meus nove irmãos, insisti, chorei, argumentei que meu caso necessitava um regime especial. Ele acabou concordando em expedir minha carteira”, relata.

Hoje, Fernando é um profissional autônomo que dirige sua própria empresa. Ele conta que trabalhar tão cedo atrapalhou sua vida escolar, interrompida aos 17 anos, mas acredita que proibir o trabalho também não é a solução. “Lugar de criança é na escola, mas existem jovens que deixam de estudar por opção. Para estes, o trabalho é uma forma de evitar que se ocupem de forma errada”, comenta Fernando com a experiência de um recordista no assunto.
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