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6 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer

Niemeyer morreu no Rio de Janeiro na noite desta quarta-feira (5), vítima de uma infecção respiratória. Ele estava internado desde 2 de novembro no Hospital Samaritano. Reconhecido internacionalmente por suas obras, Niemeyer completaria 105 anos em 15 de dezembro.

Após velório em Brasília (DF), corpo será velado no  Palácio da Cidade, sede da prefeitura do Rio de Janeiro. A ocasião será aberta ao público nesta sexta-feira (7).

Sua morte repercutiu em jornais de todo o mundo. Para o diário norte-americano New York Times, o brasileiro revolucionou a arquitetura ao fundir o modernismo com a sensualidade, quebrando com o padrão arquitetônico colonial e barroco de até então.

Foi autor de mais de 400 projetos em seu próprio País e no exterior. A linha reta, inflexível, nunca seduziu completamente Niemeyer, o carioca que preferiu desafiar a matéria bruta, dando-lhe formas livres, leves, sensuais. Seus projetos são prova palpável de uma acertada comunhão entre técnica e arte, maiores responsáveis pela consagração mundial da arquitetura brasileira.oscarni

"De um traço nasce a arquitetura. E quando ele é bonito e cria surpresa, ela pode atingir, sendo bem conduzida, o nível superior de uma obra de arte." Assim, o próprio Niemeyer define o que lhe parece ser o alicerce principal da arquitetura: a surpresa. Essa tem sido sua busca permanente.
Em 1934, formou-se pela Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro. No escritório de Lúcio Costa, grande arquiteto e autor do plano-piloto de Brasília, iniciou sua profissão trabalhando como estagiário. Por lá, identificou-se com as idéias modernistas que modificaria com sua visão criativa e inovadora.

De 1937 a 1943, integrou a jovem equipe que, ao lado de Lúcio Costa e sob consultoria de Le Corbusier, lançou-se na corajosa aventura de projetar e construir a sede do Ministério da Educação e Saúde, hoje Palácio Gustavo Capanema, marco fundamental da arquitetura moderna no país. No início dos anos 40, afirmava ao país o seu gênio criativo: o Conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte, moldando com curvas em concreto armado o novo bairro da capital mineira.

Em 1947, participou da comissão internacional responsável pelo projeto da sede da ONU em Nova York: o seu desenho foi a base do projeto definitivo.

Anos mais tarde, em Brasília, espelho do sonho de progresso, Niemeyer venceu o desafio de materializar traços que pareciam improváveis sobre a prancheta. São seus os desenhos do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional, da Catedral de Brasília, entre outros.

Na década de 60, o golpe militar obrigou o arquiteto, comunista histórico, a se exilar na Europa. Ampliou então, sua atuação no exterior e projetou, entre outros importantes edifícios, a sede do Partido Comunista Francês (1971), em Paris. No Brasil, o Conjunto do Ibirapuera, em São Paulo, e o Grande Hotel de Ouro Preto, Minas Gerais, são marcos de sua obra eloquente.

De volta ao país, nos anos 80, Niemeyer projetou o Sambódromo e os Centros Integrados de Educação Pública (CIEP) e, na década seguinte, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, sem nunca parar de trabalhar. No escritório de Copacabana, as palavras rabiscadas na parede revelam sua crença na revolução. E não apenas naquela que operou de forma definitiva na arquitetura: "Quando a vida se degrada e a esperança foge do coração dos homens, a revolução é o caminho a seguir".

Um de seus últimos projetos concretizados foi a Torre de TV Digital, em Brasília, inaugurada em 21 de abril deste ano, quando a cidade completou 52 anos.

A presidenta Dilma Rousseff disse em nota, que “o Brasil perdeu hoje um dos seus gênios. É dia de chorar sua morte. É dia de saudar sua vida”.
“Carioca, Niemeyer foi, com Lúcio Costa, o autor intelectual de Brasília, a capital que mudou o eixo do Brasil para o interior. Nacionalista, tornou-se o mais cosmopolita dos brasileiros, com projetos presentes por todo o país, nos Estados Unidos, França, Alemanha, Argélia, Itália e Israel, entre outros países. Autodeclarado pessimista, era um símbolo da esperança”, diz a nota assinada pela presidenta da República.

Fonte: Portal Brasil

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24 de outubro de 2012

Portal da Biblioteca Digital do Patrimônio Ibero-Americano

Num exemplo de cooperação internacional, foi apresentada na última terça-feira, 19, a versão beta do portal da Biblioteca Digital do Patrimônio Ibero-Americano (BDPI), que reúne 136 mil itens. O projeto da Associação de Bibliotecas Nacionais da Ibero-América (Abinia)  integra os acervos das Bibliotecas Nacionais do Brasil, Chile, Colômbia, Panamá e Espanha, e permite a consulta aos acervos das mesmas através de ferramentas de buscas específicas.

Com a iniciativa, a Abinia pretende incentivar as bibliotecas associadas a promoverem a digitalização de suas coleções, aBDPI automação e padronização de seus catálogos, adaptando-os aos padrões internacionais. O portal ainda é uma versão beta (experimental) porque a Abinia espera incorporar nos próximos meses o maior número de bibliotecas nacionais da região.

O portal da BDPI apresenta seleção de documentos, livros, mapas, imagens, testemunhos das grandes viagens e explorações, mais de 15 mil gravações de som, cerca de 8,6 mil partituras, obras, monografias e periódicos sobre literatura, escritores e estudos literários. A Biblioteca Nacional da Espanha contribui com 87,5 mil registros, a do Chile com 21,5 mil registros, a do Brasil, que tem sede no Rio de Janeiro, com 19,5 mil registros, a da Colômbia com 7,1 mil registros e a do Panamá com 925 registros.

A BDPI pode ser acessada através do link http://www.iberoamericadigital.net/gdl/

Fonte: ALC

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20 de outubro de 2012

Atiraram no homem para matar a fábrica

Belo de Farias, um negociante de animais no sertão do Ceará, casado, pai de cinco filhos, não resiste aos encantos de uma adolescente de 14 anos, Leonilda Flora da Cruz Gouveia. Três anos depois, no dia 5 de junho de 1863, em Ipu, Ceará, Delmiro Augusto da Cruz Gouveia vem ao mundo. Aos quinze anos, logo depois da morte da mãe, Delmiro vai ganhar a vida como bilheteiro e condutor de bondes, no Recife. Em 1881, entra para o comércio de peles. Seu tino e sua inteligência começavam a lhe abrir as portas da fortuna. Dois anos anos depois, no dia 28 de agosto de 1883, casa-se com dona Iaiá, filha de seu amigo, o tabelião Antônio Severiano de Melo Falcão.

Em 1892, por sua amizade com John Sanford, americano que comerciava com peles, é convidado para ocupar a gerência do curtume Keen Sutterly & Co., com sede na Filadélfia. Mais tarde, quando volta de sua segunda viagem aos Estados Unidos, compra as instalações e escritórios da Sutterly. Em 1898, associa-se ao diretor geral do Banco de Pernambuco, Antônio Carlos Ferreira da Silva, e à firma Rossbach Brothers, e passa a ter o monopólio das exportações de couro no Nordeste.

Resolve, então, construir um mercado. Compra os terrenos do antigo Derby Club e, a 7 de setembro de 1899, inaugura uma firma precursora dos supermercados. Dotado de luz elétrica, sistema de esgotos, chafarizes com água em abundância, e até de um parque de diversões, o Mercado Modelo vende os mais variados gêneros, de alimentos a roupas. A região em torno do mercado começa a se desenvolver. Delmiro consegue eliminar os intermediários no processo de comercialização, comprando direto dos pequenos fazendeiros. O povo do Recife jamais conhecera preços tão baixos.Delmiro

Mas o prestígio do coronel Delmiro representa uma ameaça para os interesses políticos dos grandes proprietários rurais. Rosa e Silva, vice-presidente da república, organiza, então, uma ofensiva de boicote ao Mercado Modelo. Por ordem do prefeito Esmeraldino Bandeira, as mercadorias são apreendidas. Desesperado com a situação, Delmiro viaja ao Rio de Janeiro para resolver o problema diretamente com Rosa e Silva. Mas não chegam a um acordo, e Delmiro acaba agredindo a bengaladas o vice-presidente em plena rua do Ouvidor. A resposta não tarda e na noite de 2 de janeiro de a900, o mercado é incendiado.

Delmiro retoma o comércio de peles e em 1910 já tem capital para realizar um novo sonho: explorar o vale do São Francisco, industrializar a energia hidrelétrica de Paulo Afonso, e instalar, na região, um centro agrícola e industrial. Compra todas as terras secas devolutas da região de Água Branca. Além disso, consegue isenção de impostos para uma fábrica de fios e linhas e a concessão para captar energia elétrica da cachoeira de Paulo Afonso. Importa equipamentos da Suíça, Alemanha e Inglaterra e no dia 1° de julho de 1912, inaugura a Companhia Agro Fabril Mercantil. No dia 5 de junho de 1914, com técnicos europeus, mil operários só nas instalações fabris e milhares nos campos de algodão, tem início aprodução em massa dos fios e linhas.

Em pouco tempo, Delmiro começa a exportar linhas para o Perú e Chile. Mas Delmiro era também um reformador. Manda construir a Vila Operária da Pedra, a primeira de que se tem notícia no Nordeste. Um modelo para a época: 256 casas de alvenaria, alinhadas em ruas regulares, iluminação elétrica e água encanada. Em 1916, já funcionavam na Vila, quatro escolas, serviço médico e uma Caixa de Previdência Operária. E, antes mesmo que a legislação brasileira pensasse: regime de oito horas de trabalho, descanso semanal aos domingos e 13° salário.

Mas a fama de Delmiro mais uma vez desagrada a muita gente. A poderosa firma inglesa, Machine Cottons, por exemplo, que antes controlava sozinha o mercado de linhas e fios no Brasil. E também aos coronéis José Rodrigues de Lima, de Piranhas, e José Gomes de Sá, de Jatobá. Recomeça, então, mais uma campanha contra Delmiro, e, no dia 10 de outubro de 1917, às 20 horas e 30 minutos, Delmiro estava sentado no alpendre de seu pequeno chalé perto da Fábrica da Pedra. Lia os jornais, tranquilamente, quando, de repente, o silêncio é rompido por três estampidos. Delmiro Gouveia estava morto.

Fonte: Nosso Século, Abril Cultural, 1981.

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30 de setembro de 2012

Como nasceu a Estação da Luz

O desenvolvimento de São Paulo, a Metrópole do Café, não teria sido possível sem a implantação das estradas de ferro, que permitiram levar o Ouro Verde das zonas produtoras ao porto de Santos, distribuindo produtos das indústrias e trazendo matérias primas. Em 1867, a São Paulo Railway Co., com sede em Londres, inaugurou uma ferrovia ligando Santos a Jundiaí. Esta ferrovia percorria várzeas e lugares planos; passando pelo povoado da Lapa e pelos Campos Elísios, atingia a freguesia da Luz, próxima ao centro, antes de seguir pelo Brás rumo ao litoral.

Junto às estações, foram surgindo armazéns e indústrias. No bairro da Luz, devido ao grande movimento comercial, intensifestacaoluz2icou-se a função administrativa, policial e militar, surgindo nas cercanias a Cadeia Pública, quartéis de infantaria e cavalaria, escolas para oficiais e um hospital militar. Em 1872, inauguraram-se 231 km da Estrada de Ferro São Paulo – Rio de Janeiro, que partindo da Estação do Norte, no Brás, chegava à cidade de Cachoeira, no nordeste do estado. Atravessando o rio Paraíba em balsas, mercadorias e passageiros atingiam a Estrada de Ferro Dom Pedro II, que levava ao Rio de Janeiro, então capital do Brasil.

Em 1890, o problema da baldeação foi resolvido por uma ponte que uniu as duas ferrovias, formando a futura Estrada de Ferro Central do Brasil. Nas décadas seguintes, novas ferrovias se estenderiam pelo interior de São Paulo, ligando-o a outros estados no Oeste e Sul do país. A Estação da Luz, nó central dos grandes entroncamentos ferroviários, não ficou à margem das reformas por que passava São Paulo no final do século XIX.estacaodaluz1

Em 1896, iniciaram-se as obras de uma imponente estação que custou à São Paulo Railway cerca de 150.000 libras esterlinas, 4.500 contos de réis, em dinheiro da época, e foi construída no lugar de um primitivo edifício. No ano de 1901, estava pronta a nova Estação da Luz, cópia fiel da Estação de Sydney, na Austrália. Todo o material de construção foi importado da Inglaterra. A obra tornou-se um cartão de visita de São Paulo, motivo de orgulho para seus habitantes e de espanto para os estrangeiros que, como Alberto I, rei da Bélgica, visitaram-na encantados por sua beleza.

Fonte: Nosso Século, Abril Cultural, 1980

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2 de setembro de 2012

Blumenau comemora 162 anos

Em 2 de setembro de 1850, dezessete colonos chegaram ao local onde hoje se ergue a cidade de Blumenau. Muitos outros imigrantes atravessavam o Oceano Atlântico em veleiros de companhias particulares. E assim foi crescendo o número de agricultores, povoadores e cultivadores dos lotes, medidos e demarcados ao longo dos rios e ribeirões que banhavam o território da futura cidade de Blumenau.

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A região onde hoje é Blumenau era habitada por índios Kaigangs, Xoklengs e Botocudos e, mesmo antes da fundação da Colônia Blumenau, já havia famílias estabelecidas na região de Belchior, nas margens do ribeirão Garcia e do rio Itajaí-Açu. Em 1850, o filósofo alemão Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau obteve do Governo Provincial uma área de terras de duas léguas para estabelecer uma colônia agrícola, com imigrantes europeus.

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Herança da história de sua colonização, a microrregião de Blumenau possui costumes e tradições únicos. Colonizada no início por alemães, seguidos de italianos e poloneses, também recebeu habitantes do Vale do Rio Tijucas, descendentes de portugueses. Mesmo assim, as cidades da microrregião incorporaram principalmente a cultura alemã e italiana.

A Lei nº 860, de 4 de fevereiro de 1880, elevou a colônia à categoria de município. Entretanto, em outubro, uma grande enchente causou sérios prejuízos à população e à administração pública, com a destruição de pontes e estradas. Após isso, a instalação do município só foi possível em 10 de janeiro de 1883, quando assumiu o exercício a Câmara Municipal eleita no ano anterior. Em seguida, o município recebeu o título de Comarca (1886) e, finalmente, em 1928, passou à categoria de Cidade.

Ein Prosit Blumenau!

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19 de agosto de 2012

O cinema artesanal do Brasil

Nos anos 1920, o cinema brasileiro entra em fase de expansão. Surgem pioneiros em vários estados, diversificando a temática cinematográfica. Em São Paulo, José Medina, que se associara a Gilberto Rossi em 1919, lança em 1920 o filme Perversidade. Pintor e fotógrafo, Medina abraçara o cinema com paixão. Era um tempo de artesanato. Com a falta de tecnologia para iluminação, as cenas eram filmadas à luz do sol. Medina montava cenários no quintal de seu estúdio e filmava ao meio-dia, para não ter sombras. Produziu obras como Gigi em 1925, baseada num conto de Viriato Correia, e Fragmentos da Vida em 1929, adaptação de um conto do norte-americano O’Henry.TesouroPerdido

No Rio de Janeiro, em 1920, a portuguesa Carmem Santos criou a empresa Films Artísticos Brasileiros e lançou o filme A Carne, adaptado de um romance de Júlio Ribeiro. Depois veio Mademoiselle Cinéma, baseado na obra escandalosa de Benjamin Costallat. Era a moda do cinema picante. Também no Rio, Ademar Gonzaga e Pedro Lima fazem uma verdadeira escola de cinema, através das revistas Para Todos, Seleta e Cinearte, publicando informações sobre a produção cinematográfica brasileira e divulgando atores e atrizes como Grácia Moreno, Eva Schnoor, Lelita Rosa, Nita Ney, Eva Nil, Estela Mar, Luís Soroa, Carlos Modesto, Paulo Morano e Raul Schnoor.  

Além de divulgar estes nomes para competir com o cinema norte-americano, que dominava 90% do mercado brasileiro, essas revistas influenciaram jovens cineastas de outros estados, como Humberto Mauro, mineiro de Volta Grande, que iniciou sua carreira em Cataguases com o filme Valadião, o Cratera de 1925 que conta a história de um bandido. Em 1926 Mauro filma Na Primavera da Vida, Tesouro Perdido, Brasa Dormida e Sangue Mineiro.

No nordeste o movimento cinematográfico concentrou-se em Pernambuco, onde se destacaram dois jovens talentos, Edson Chagas e Gentil Roiz que dirigiu Aitaré da Praia, filme que retratava a vida dos jangadeiros. No sul, destacaram-se os gaúchos Eduardo Abelim e Eugênio Kerrigan, que se associaram para dirigir Amor que Redime, melodrama urbano muito comentado em Porto Alegre.

Fonte: Nosso Século, Abril Cultural, 1981

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1 de abril de 2012

190 anos do nascimento de Fritz Müller

Nascido em uma pequena aldeia da Alemanha em 1822, aos 22 anos o jovem Johann Friedrich Theodor Müller obteve o título de Doutor em Filosofia pela Universidade de Berlim. Em 1849 concluiu o curso de Medicina na Universidade de Greifswald, mas não colou grau, por se negar a proferir as palavras cristãs contidas no juramento. Em 1852 emigrou com familiares para a recém-fundada Colônia de Blumenau, no Vale do Itajaí, e em 1856 partiu para Desterro (atual Florianópolis), naturalizando-se brasileiro para assumir cargo público de professor no Liceu Provincial (antigo Colégio Jesuíta, atualmente representado pelo Colégio Catarinense).

É nesse momento que inicia o período mais produtivo da obra científica de Fritz Müller. Em Desterro o naturalista tem seu reconhecimento internacional entre a comunidade científica. Ele mantém correspondência com eminências científicas da época, como Max Schultze, Herman von Ihering, August Weismann, Louis Agassiz, Ernst Haeckel e em especial com Charles Darwin (cuja extensa e contínua correspondência se estende por 17 anos, até a morte de Darwin). A história de Fritz Müller completou neste sábado, dia 31 de março, 190 anos, desde o nascimento na Alemanha.

Um site está sendo construído por um grupo de professores da Universidade Federal de Santa Catarina envolvidos com a divulgação da obra do naturalista. O site organiza informações sobre a história, a vida, a obra, as principais homenagens póstumas e os escritos de Fritz Müller, cientista mundialmente conhecido pela concepção do fenômeno mimetismo mulleriano, estudado em todo o mundo.FritzMuller

Fritz Müller foi pioneiro ao publicar, em 1864, o primeiro livro no mundo em apoio à teoria evolutiva de Darwin, com provas factuais obtidas em estudos sobre crustáceos, realizados em Florianópolis. Este livro, que atuou decisivamente na consolidação da teoria da evolução das espécies proposta por Darwin, tornou-o mundialmente famoso e o levou a receber, em vida, duas vezes o título de Doutor Honoris Causa, emitido por universidades alemãs.

Diferentes datas têm sido aproveitadas para rememorar a vida e a trajetória do naturalista. Em 2009, ano do bicentenário do nascimento de Charles Darwin e dos 150 anos da publicação do seu revolucionário livro Origem das Espécies, a Universidade Federal de Santa Catarina reconheceu o valor da obra de Fritz Müller. Concedeu-lhe o título de Doutor Honoris Causa post-mortem, recebido pelo seu descendente Alberto Lindner, professor do Departamento de Ecologia e Zoologia.

Em 2009 a Editora da UFSC lançou uma nova tradução do livro Para Darwin (Für Darwin, 1864), escrito por Fritz Müller. Elaborada por Luiz Roberto Fontes, médico legista e biólogo, e por Stefano Hagen, médico veterinário, biólogo e professor, a nova tradução se distingue das outras duas que a antecederam por usar como base a primeira edição do livro, em alemão. A publicação foi viabilizada com apoio financeiro da UFSC, Fapesc e Ministério da Ciência e Tecnologia.

“Homenagear Fritz Muller no ano de 2012, quando completaria 190 anos de idade, representa resgatar para a memória nacional o nosso maior naturalista novecentista, brasileiro por opção e com grandes feitos para a história da ciência brasileira e mundial. Representa também homenagear o Estado de Santa Catarina, que em suas publicações tornou-se mundialmente conhecido, principalmente as localidades de Blumenau, Itajai e Desterro”, destaca Luiz Roberto Fontes.

Por: Arley Reis / Jornalista da Agecom

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22 de novembro de 2011

Livro: Enfermagem em Santa Catarina, Recortes de uma História (1900-2011)

Será lançado nesta quarta-feira, dia 23, às 17h30min na Assembleia Legislativa de SC o livro Enfermagem em Santa Catarina, Recortes de uma História (1900-2011), organizado pelas professoras Miriam Susskind Borenstein e Maria Itayra Padilha. O livro foi produzido pelo Grupo do Estudos de História do Conhecimento da Enfermagem e Saúde (GEHCES), que existe desde 1995 e está ligado ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PEN) da UFSC.

Formada por 14 artigos, a obra está organizada em três partes. A primeira conta a história do GEHCES, explica como foram feitas as pesquisas históricas, baseadas em análise documental e entrevistas, e traz os relatos dos primórdios da enfermagem em Santa Catarina no início do século XX.

A segunda parte conta como foi o trabalho dos enfermeiros nos três hospitais de exclusão criados na década de 1940: Hospital Nereu Ramos, que cuidava de casos de tuberculose, a Colônia Santana, dedicada aos tratamentos psiquiátricos, e o Hospital Colônia Santa Teresa, para os tratamentos dos casos de hanseníase.enfermagemlivro

A terceira parte do livro aborda a enfermagem praticada na Maternidade Carmela Dutra e no Hospital Infantil Edith Gama Ramos, que atualmente chama-se Joana de Gusmão. No último capítulo o leitor pode conhecer alguns personagens que contribuíram para essa história. São pequenas biografias que dão a dimensão história e mostram que, para períodos diferentes foram criados hospitais diferentes, nos quais se praticava uma enfermagem diferente.

“Trata-se de uma obra densa e consistente com rigor científico e valor histórico sem precedentes, pois lega às futuras gerações o conhecimento acerca da profissão de Enfermagem e do contexto da saúde da população catarinense ao longo dos séculos XX e XXI”, escreve na apresentação a professora Marta Lenise do Prado.


Mais informações:

O quê: Lançamento do livro “Enfermagem em Santa Catarina, Recortes de uma História (1900-2011)”, Editora: Secco, 277 páginas.

Local: Assembleia Legislativa de Santa Catarina

Data e hora: 23/11/2011 às 17h30min

Contato: Profa. Miriam Borenstein – fones 3223-1050 e 9911-8543, email: miriam@nfr.ufsc.br

Fonte: Agecom

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2 de setembro de 2011

Mas o velho resistiu

Nos arredores da cidade de Hebron (Al-Khalil), a nordeste do centro histórico, localiza-se o Wadi Al-Ghrous, um vale localizado entre as duas colinas onde estão instaladas dois assentamentos israelenses: Qiryat Arba (ao sul) e Givat Harsina (ao norte).

O primeiro foi estabelecido em 1968 e o segundo no início da década de 1980 por colonos removidos do Sinai após o tratado de paz entre Israel e o Egito. Algumas famílias palestinas continuam vivendo ali, resistindo à pressão criada pelos assentamentos circundantes, que se manifesta normalmente através do confisco de terras e através da violência dos colonos. Em meio a esse conturbado ambiente, encontra-se a história de perseverança de um velho e seu ônibus.ovelho

Sozinho, agarrando-se ao pouco que resta de sua terra, um idoso de 80 anos, chamado Abd Al-Hasib Atta Zaloum, passa a maior parte do tempo em baixo de uma árvore. Durante toda a sua longa vida, testemunhou inúmeros acontecimentos-chave do conflito árabe-israelense, como as guerras de 1948 e 1967. Também testemunhou a formação e a expansão dos assentamentos israelenses à sua volta, já a partir do ano de 1968.

Desde o princípio, esses assentamentos se constituíram tomando terras palestinas, sejam privadas ou estatais (ou assim declaradas pelo Estado ocupante, Israel), às vezes vagarosamente, às vezes abruptamente. Isso é realizado normalmente através de um engenhoso sistema que utiliza medidas de segurança que inviabilizam o acesso à terra e leis otomanas de confisco de terras não cultivadas durante três anos. As terras pertencentes a Abd Al-Hasib não ficaram imunes a esse processo de desapropriação.

Localizadas adjacente ao assentamento de Qiryat Arba, cuja população atual gira em torno de oito mil habitantes, suas terras também sofreram o mesmo processo de desapossamento a quais tantos outros palestinos estão sujeitos. De seus originais 21 dunums de terras, restam-lhe apenas 4 dunums (1 dunum = 1.000 m²). Como também em tantos outros casos, o motivo declarado pelas autoridades israelenses foi a proteção dos assentamentos através da criação de área de isolamento que provesse uma espécie de faixa de segurança para as instalações desse, como a escola para as crianças dos colonos que fica próxima às terras de Abd Al-Hasib.

Essas medidas de segurança foram impostas a custas da propriedade privada de um idoso inofensivo, sem que lhe fosse dado qualquer compensação pelas perdas, o que deveria ser a prática em qualquer sociedade sob o estado de direito. Ao contrário, os próprios assentamentos que provocaram essa destituição forçada é que estão em flagrante violação com as leis internacionais, de acordo com a Quarta Convenção de Genebra, segundo a qual é ilegal a transferência de uma população para territórios ocupados pela força ocupante.

Mais de 100 assentamentos israelenses foram erguidos desde 1967 na Cisjordânia, para os quais foram construídos em meio a um território alheio rodovias, sistemas de canalização de água, redes de luz e eletricidade... aos quais a população local, os palestinos, tem pouco ou nenhum acesso.

A partir de 1994, durante o processo de Oslo, foi estabelecido que a Cisjordânia seria divida em Áreas A, B e C. As áreas consideras A estariam  dali em diante sob controle total da Autoridade Nacional Palestina, também uma criação dos mesmos acordos, pelo menos em tese.

Já as áreas consideradas C (quase 2/3 da Cisjordânia) permaneceriam sob controle total israelense, sendo as Áreas B um misto das duas: controle civil palestino e militar israelense. Do mesmo modo que tantas outras nas imediações de assentamentos, as terras de Abd Al-Hasib caíram dentro da Área C. Isso significou que qualquer construção realizada dali em diante necessitaria da aprovação das autoridade militares israelenses.

Como regra geral, é praticamente impossível para um palestino conseguir permissão para construir nessa área, não restando outra opção a não ser fazê-lo ilegalmente. Ordens de demolição são emitidas pouco tempo depois do término das construções e, após o esgotamento de todos os recursos possíveis, aos quais a grande maioria sequer tem acesso, vem a demolição de fato.

Assim foi com a casa que Abd Al-Hasib construiu em suas terras em fins da década de 1990, demolida pouco tempo depois de sua construção, no ano de 2000. A retirada forçada de sua casa pelos soldados e policiais israelenses resultou em algumas seqüelas, principalmente em seu braço direito, quebrado por aqueles enquanto resistia à remoção forçada.

Seu filho buscou então uma solução para seu pai que insistia e ainda insiste em permanecer vivendo em suas terras até o dia que morrer. Comprou para ele um ônibus quebrado de uma companhia de Beit Sahur por 400 shekels para que pudesse continuar ali. Não sendo uma construção, o ônibus não está sob a ameaça de demolição pelas autoridades israelenses. Já há 10 anos, vive o idoso Abd Al-Hasib em seu ônibus, cerca de 20 metros de sua antiga casa demolida.Busdovelho

As condições dentro dessa residência, o ônibus, são consideravelmente austeras. Não há água encanada, nem banheiro. Há apenas alguns colchões, uma televisão, um rádio e um fogão a gás simplíssimo. Algumas janelas do ônibus estão quebradas ou faltando, o que durante o inverno torna as condições ali difíceis de serem suportadas. Adjacente ao ônibus encontra-se a árvore onde o idoso passa a maior parte do tempo. À primeira vista é possível pensar que alguém vivendo nessas condições sinta-se miserável e infeliz, mas não é o caso de Abd Al-Hasib:

“Eu tenho tudo aqui: pão, água. Eu prefiro viver aqui do que em um hotel cinco estrelas,” diz ele apontando para o que mantém próximo ao alcance de suas mãos.

O insistente idoso permanece firme em sua terra, temendo que, caso a deixe, ela seja incorporada ao assentamento adjacente de Qiryat Arba. Os colonos dali costumavam importuná-lo regularmente até que foi erguida uma cerca há oito anos. Entretanto, a mesma lhe barrou o acesso a maior parte de suas terras, restando apenas menos de um quinto do que tinha anteriormente. Ainda assim, esse exíguo lote de terra é visado por aqueles que desejam usá-lo para expansão do assentamento.

Alguns anos atrás um advogado veio até ele interessado em comprar suas terras e ofereceu-lhe um altíssimo valor por elas. Inicialmente, foi oferecido em torno de 30.000 dinares jordanianos por cada dunum de terra (um dinar jordaniano costuma valer entre 2 a 2,5 reais).

Suspeitando algo estranho, Abd Al-Hasib continuou negociando e conseguiu aumentar o valor para 100 mil dinares por dunum. Finalmente ele disse que não venderia a terra, já que sabia que tal preço só poderia ser pago por colonos ideológicos interessados na expansão do assentamento próximo. Então, disse que toda sua terra junta não valia 10 mil dinares jordanianos e expulsou o advogado dali.

Inicialmente, sua mulher lhe fazia companhia morando com ele no ônibus. Porém, há cerca de oito meses teve que se retirar dali por causa de problemas de saúde que praticamente a imobilizaram. Ela vive agora na casa do filho, há poucas centenas de metros dali. Agora resta apenas o velho solitário, sentado debaixo de sua árvore ou dormindo dentro de seu ônibus.

“Eu sou como um rei aqui na minha terra. Eu tenho uma TV e posso ouvir no rádio Umm Kulthum (famosa cantora egípcia). O rei da Jordânia não poderia vir aqui e viver aqui, pois precisaria de seus guarda-costas. Eu tenho só um protetor: Deus”, afirma.

Resoluto em terminar seus dias sobre o chão que legitimamente  lhe pertence, o idoso Abd Al-Hasib Atta Zaloum resiste firme ao que é apenas um exemplo do lento avanço do processo de desapontamento que ocorre na atualidade em toda a Cisjordânia. Ao contrário do habitualmente veiculado pela mídia, não é violência a principal arma da maioria dos palestinos em sua longa luta contra quase 45 anos de ocupação, mas sim a paciente persistência como a do velho em seu ônibus.

Por: Gabriel Matyias Soares, brasileiro, um observador ecumênico em Hebron.

Fonte:  ALC

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22 de agosto de 2011

Já ouviu falar do Vorstadt?

Vorstadt é um Bairro localizado na margem direita do Rio Itajaí-Açu, na região Leste do município de Blumenau, se limita, ao Norte, com o rio Itajaí-Açu. Ao Sul faz divisa com a Área Rural Leste de Blumenau e o bairro Centro; ao Leste, com a Área Rural Leste de Blumenau e o município de Gaspar e, a Oeste, com o Rio Itajaí-Açu. A palavra Vorstadt tem sua origem na língua alemã, que significa “antes da cidade/entrada da cidade”. Para quem vinha do litoral, o bairro é o que se localiza antes do centro da cidade. O bairro Vorstardt foi criado na administração do prefeito Frederico Guilherme Busch Júnior, pela Lei nº. 717, de 28 de abril de 1956, que dividiu o Perímetro Urbano da Cidade em “Zona Central e Bairros”.

Inicialmente, o bairro Vorstadt, era constituído por 14 lotes coloniais, conforme consta vorstadtno mapa da Colônia de 1864. No dia 18 de agosto de 1942, a principal via do bairro, conhecida popularmente por Beco Laux, recebeu o nome oficial de rua Itajaí. Por ali passava toda a mercadoria originária do planalto catarinense com destino ao litoral, cujo movimento foi crescendo de forma gradativa, pela exportação da madeira de pinho, e mais tarde pela utilização dos caminhões como meio de transporte. Por isto, esta ligação entre Blumenau e Itajaí, foi a primeira rodovia asfaltada do Estado de Santa Catarina. Também pelo Vorstadt passou a extinta Estrada de Ferro, cujo maior símbolo, ainda existente, é a Ponte Engenheiro Antônio Ávila Filho, ou como é popularmente conhecida a “Ponte dos Arcos”.

Ilustres blumenauenses tiveram e tem o Vorstadt como endereço residencial. Sendo o mais ilustre de todos, sem dúvida, Johann Friedrich Theodor Müller ou simplesmente, Fritz Müller. Um jovem médico e naturalista alemão que em 1852 chegou ao Brasil com a esposa e uma filha. Fritz Müller foi parceiro e ajudou muito Charles Darwin a provar suas teses, inclusive escrevendo um livro, FürDarwin (Para Darwin, em alemão), que o próprio Darwin lançou na Inglaterra com o nome Fotos e Argumentos a Favor de Darwin.

Fonte de pesquisa: PMB e Revista Escola

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18 de agosto de 2011

40 anos de cooperação

O cooperativismo catarinense festeja 40 anos de história no dia 25 de agosto, quando a Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc) promove uma série de atos relativos à data, entre eles, a inauguração de moderna sede própria, na Capital do Estado.

Em Santa Catarina, a cooperação tem nome e sobrenome. O primeiro órgão representativo do setor foi a Associação das Cooperativas de Santa Catarina (Ascoop), fundada em 1º de agosto de 1964, em Blumenau. Em 1971, entretanto, o Governo Federal promoveu a estruturação legal-institucional, editando a Lei nº 5.764, de 16/12/71, que definiu a política nacional de cooperativismo e instituiu o regime político das cooperativas.

Em cumprimento à nova legislação foi constituída a Organização das Cooperativas Brascooperileiras (OCB), órgão de cúpula do sistema na esfera nacional, na capital federal, e fundadas as Organizações de Cooperativas Estaduais (OCE) nas capitais das unidades federativas. Em 28 de agosto de 1971 surgiu a Ocesc para representar efetivamente o sistema cooperativo catarinense e disciplinar a criação e o registro de cooperativas singulares, cooperativas centrais e federações de cooperativas.

Dedica-se a estudos e divulgação da doutrina cooperativista; fomento e criação de novas cooperativas, prestação de serviços de ordem técnica em nível de direção, funcionários e associados; promoção de congressos, encontros, seminários e ciclos de estudos e integração com as entidades congêneres das demais unidades da Federação. A Ocesc representa, hoje, 12 ramos das atividades cooperativistas (agropecuário, consumo, crédito, educação, especial, habitação, infraestrutura, mineração, produção, saúde, trabalho e transporte) que, na contextura catarinense, somam 258 cooperativas que faturam 12,8 bilhões de reais por ano (cerca de 12% do PIB de SC) e reúnem 1 milhão 130 mil famílias. Esses números embutem uma revelação surpreendente: mais da metade da população catarinense tem relação e vinculação com o associativismo de cooperação. Isso é emblemático e expressa um atributo da alma do catarinense - a solidariedade, a vocação comunitária, o apego ao trabalho, a crença nos valores da liberdade, da justiça e da igualdade de oportunidades.

As cooperativas são organizações humanas com motivação social que sobrevivem e prosperam em um ambiente hostil e competitivo. O cooperativismo é uma alternativa ao capitalismo selvagem e ao socialismo utópico, é um caminho para o desenvolvimento, a democracia e a paz.

        Está ocesccomprovado que o índice de desenvolvimento humano (IDH) dos municípios brasileiros onde existem cooperativas é mais elevado do que aqueles em que não as possuem. Onde o cooperativismo estiver atuante, toda a sociedade compartilha de seus ganhos porque, comprovadamente, as cooperativas reduzem as desigualdades, promovem o desenvolvimento e obtêm a independência das diversas classes e categorias profissionais ou econômicas.

A cooperativa nasce a partir da união de capital das pessoas que a desejam e buscam através dela o melhor resultado econômico que o mercado possibilita. É um belo modelo de sociedade de capital com tratamento em legislação especial. Mas as mudanças e transformações que marcam este século não poupam as cooperativas, que – apesar do ideário humanista – precisam ter visão empresarial e eficiência gerencial para atingirem seu desiderato. Para as cooperativas, o futuro está repleto de desafios e de oportunidades.

Por: Marcos Antonio Zordan

Presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc)

Fonte: MARCOS A. BEDIN

MB Comunicação Empresarial/Organizacional

mb@mbcomunicacao.com.br

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26 de abril de 2011

O fim de uma era: fechou a última fábrica de máquinas de escrever do mundo

Uma invenção que revolucionou a maneira de trabalhar, tornando-se uma peça essencial, principalmente nos escritórios, por mais de um século. Mas depois de anos de excelentes serviços prestados, chegando a ser o símbolo das secretárias, finalmente chegou ao fim da linha. Pois é, se você acha que as máquinas de escrever já não eram mais fabricadas há muito tempo, está enganado.

A Godrej e Boyce, última empresa que ainda fabricava máquinas de escrever, acabou de fechar sua unidade de produção em Mumbai, na Índia, com algumas centenas de máquinas em estoque. Embora as máquinas de escrever tenham se tornado obsoletas anos atrás, no ocidente, elas ainda eram comuns na Índia, até recentemente. Mas mesmo assim, a demanda por máquinas  de escrever neste país, também foi diminuindo nos últimos dez anos, pois também por lá os consumidores foram migrando para os computadores.

O gerente geral da empresa, Milind Dukle, disse ao jornal India's Business StandarMaqEscrd: "Nós não estamos recebendo muitas encomendas agora. "Desde o início dos anos 2000 , quando os computadores passaram a dominar, todos os fabricantes de máquinas de escrever pararam a produção, exceto nós. Até 2009, eram produzidas de 10.000 a 12.000 máquinas por ano. Mas agora esta pode ser a última chance para os amantes da máquina de escrever."

A empresa começou a produção em 1950 - quando o primeiro-ministro Jawaharlal Nehru descreveu a máquina de escrever como um símbolo da independência da Índia e da sua industrialização. A Godrej e Boyce chegou a vender 50 mil modelos por ano no início dos anos 1990, mas no ano passado, vendeu menos de 800 máquinas.

A invenção de um primitivo dispositivo de escrever mecanicamente é atribuída a Henri Mill, em 1714. O italiano Pellegrino Turri introduziu, em 1808, o sistema de teclados. Posteriormente, o mecânico norte americano Carlos Thuber criou um modelo aperfeiçoado, com maior rapidez de escrita  em 1843. Outros nomes como os do norte-americano Burth, o inglês Jenkins, e o francês Pogrin, colaboraram para o aperfeiçoamento da máquina.

A primeira máquina de escrever comercializada, foi produzido em os EUA em 1867 e, na virada do século foi desenvolvido  o formato padronizado com o teclado “qwerty” que até hoje conhecemos, pois também é utilizado nos computadores.

Fonte: Daily Mail

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22 de abril de 2011

Vídeo mostra Blumenau na década de 1920

Filme da segunda metade da década de 1920, do pioneiro do cinema catarinense, José Julianelli. Mostra em um panorama, a provinciana e ingênua Blumenau da época. A chegada do Vapor Blumenau, a enchente de 1927, competições esportivas e até a chegada de um rei que ninguém viu.

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3 de abril de 2011

Você conhece a história dos ovos de Páscoa?

O ovo é um símbolo bastante antigo, anterior ao Cristianismo, que representa a fertilidade e o renascimento da vida. Muitos séculos antes do nascimento de Cristo, a troca de ovos no Equinócio da Primavera (21 de Março) era um costume que celebrava o fim do Inverno e o início de uma estação marcada pelo florescimento da natureza. Para obterem uma boa colheita, os agricultores enterravam ovos nas terras de cultivo.
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Os ovos de chocolate ou ovos de Páscoa são uma tradição milenar relacionada ao cristianismo. Costumava-se pintar um ovo oco de galinha de cores bem alegres, para simbolizar a ressurreição de Jesus Cristo. Povos como os gregos e os egípcios também coloriam ovos de galinha oco, porém em datas diferentes.

Colorir e decorar ovos é um costume também praticado no Oriente. Nos países da Europa de Leste, os ortodoxos tornaram-se grandes especialistas em transformar ovos em oovo2bras de arte. Da Rússia à Grécia, os ortodoxos costumam pintar os ovos de vermelho. Já na Alemanha, a cor dominante é o verde. A tradição é tão forte que a Quinta-feira Santa é conhecida por Quinta-feira Verde.

Das tradições da Europa Oriental, o hábito passou aos demais países. Eduardo I, da Inglaterra, oferecia ovos banhados em ouro aos súditos preferidos. Luís XIV, da França, os mandava, pintados e decorados, como presentes. Isso iniciou a moda de fazê-los artificiais, de madeira, porcelana e metal, contendo alegras surpresas aos presenteados. Seu sucessorb Luís XV presenteou sua amante Madame du Barry com um enorme ovo, o qual continha em estátua de Cupido.

 

Os ovos de chocolate vieram dos Pâtissiers franceses que recheavam ovos de galinha, depois de esvaziados de clara e gema, com chocolate e os pintavam por fora. Os pais costumavam esconder ovos nos jardins para que as crianças os encontrassem na época da Páscoa. A partir do final do século XIX, se difundiram os ovos totalmente feitos de chocolate, utilizados até hoje.

Fonte: Wikipedia

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27 de março de 2011

A Bíblia foi forjada?

Partes da Bíblia foram escritas por pessoas que mentiram sobre sua identidade, é o que afirma o escritor Bart Ehrman. Segundo ele muitos dos livros do Novo Testamento foram forjados por pessoas que fingiram ser os apóstolos Pedro, Paulo ou Tiago. Professor de estudos religiosos na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, Ehrman já escreveu 21 livros sobre religião, incluindo Verdade e Ficção em O Código Da Vinci, sobre o best-seller de Dan Brown, e O que Jesus Disse? O que Jesus Não Disse? – Quem mudou a Bíblia e por quê, que figurou entre os mais vendidos na lista do jornal The New York Times.

Ele também escreve no blog Huffington Post. Agora, em Jesus, Interrupted (ainda sem tradução), que será lançado no Brasil no segundo semestre, Ehrman tenta revelar as contradições da Bíblia, que provam, segundo ele, que o livro não foi enviado à humanidade por Deus.

Em seu novo livro, Porque os autores da Bíblia não são o que pensamos que são, o professor Ehrman afirma que a segunda Epístola de Pedro  foi forjada. "Alguém escreveu se passando por Pedro", escreve ele. Muitos estudiosos pensam que seis das 13 cartas supostamente escritas por Paulo foram realmente de autoria de alguém se passando por ele, afirma o professor Ehrman.

O Professor Ehrman afirma também que o autor do livro de Timóteo 1, que dizia ser dbibliae Paulo, mas que na realidade foi escrito por alguém, depois que Paulo já havia morrido. O autor teria usado o nome do apóstolo para resolver um problema que ele viu na igreja, segundo o professor Ehrman. "As mulheres exercendo autoridade sobre os homens. Isso tinha que parar ", escreve ele.

“O autor disse que as mulheres devem ser silenciosas e submissas, e lembrou a seus leitores sobre o que aconteceu pela primeira vez quando uma mulher foi autorizada a exercer autoridade sobre o homem, no incidente do jardim do Éden.

"Não, o autor argumentou, se as mulheres queriam ser salvas, elas devem se limitar a ter bebês (Tm. 1 2:11-15). "E por que isso importa? Como a passagem é usada ainda hoje pelos líderes da igreja para oprimir e silenciar as mulheres ", escreve o professor Ehrman.

'Por que não existem mulheres padres na Igreja Católica? Por que as mulheres não têm permissão para pregar em igrejas conservadoras? Por que existem igrejas hoje que não permitem nem mesmo que as mulheres falem? "Em grande parte, é porque alegadamente Paulo ensinou que as mulheres tinham de ser silenciosa, submissa e procriadoras. Só que a pessoa que ensinou isso não era Paulo, mas alguém que se passou por ele para iludir seus leitores”.

"Parece que alguns dos escritores do Novo Testamento, como os autores de Pedro 2, Timóteo 1 e Efésios, sentiram-se perfeitamente justificados em mentir, a fim de dizer a verdade", escreve ele.

"Mas hoje podemos pelo menos, avaliar e perceber o quão humano e falível, eles eram."

Fonte: Daily Mail

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23 de março de 2011

Quem sou eu? Veja as fotos quem sabe você me conheça!

Seus rostos congelados olham através de inúmeras fotografias em sépia desgastado. Milhares de crianças - algumas muito pequenas para segurar a placa com seu nome - são mostradas em campos de refugiados espalhados por toda a Europa, no final da Segunda Guerra Mundial.

Estas imagens mostram apenas algumas das 1.100 crianças, que o U.S. Holocaust Memorial Museum, dos Estados Unidos, está tentando localizar em uma tentativa de descobrir o que aconteceu em suas vidas após a guerra que os deixou sem família, espalhados pelo mundo.CriancasIIGuerra1

A coleção de fotos faz parte do projeto "Remember Me", que visa pedir que o público ajude a identificar algumas dessas crianças que forma espalhadas pelo mundo após o conflito. O museu espera, que ao publicar essas fotos, possam receber alguma informação sobre o paradeiro destas crianças, o que aconteceu com elas e se possível ajudá-las  a reencontrar algum parente que tenha sobrevivido aos horrores da ocupação nazista.

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Conforme os anos passam diminui o número de sobreviventes do holocausto, e os peritos do museu estão ansiosos para rastrear o maior número possível, antes que seja tarde demais. A Dra. Lisa Yavnai, diretora do Museu disse: "Os números,  mesmo dos mais jovens dos sobreviventes e testemunhas da época nazista estão diminuindo, tornando-se fundamental pegar os seus depoimentos o mais rápido possível. Ao fazer isso, vamos gravar essas experiências para as gerações futuras. Mesmo as pessoas não diretamente afetadas por essa história podem fazer a diferença, divulgando esta busca”.

É mais uma oportunidade para aprender sobre o que aconteceu com este pequeno grupo de crianças e, por extensão, aos milhões de pessoas afetadas pela II Guerra Mundial e o Holocausto. Você pode ver mais fotos no site do Holocaust Memorial Museum

Fonte: Daily Mail

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21 de dezembro de 2010

Qual a origem do Boi-de-Mamão?

A brincadeira do Boi-de-Mamão, que tanto encanta crianças e adultos por onde se apresenta, é uma das manifestações mais populares do litoral catarinense, revelando um auto dramático, encenado com alegre coreografia, ao som de uma cantoria que contagia e envolve todo o público.

Segundo alguns pesquisadores trata-se de uma versão do Bumba-Meu-Boi difundido no Noboidemamaorte e Nordeste do Brasil. No livro "Águas Passadas", de José Boiteux, consta como primeiro registro da brincadeira em Santa Catarina, o ano de 1871. A obra descreve uma dança realizada em Desterro (antigo nome de Florianópolis).

Mas uma nova pesquisa, afirma que o Boi-de-Mamão, pode ter chegado à Ilha de Santa Catarina por obra dos espanhóis que várias vezes estiveram em terras catarinenses entre os anos 1500 e 1800, e não por influência do bumba meu boi nordestino como defendem alguns pesquisadores. 

A surpreendente revelação é um dos assuntos do livro O Boi de Mamão, folguedo folclórico da Ilha de Santa Catarina – Introdução ao seu Estudo, do professor e folclorista Nereu do Vale Pereira, pesquisador do Núcleo de Estudos Açorianos da Secretaria de Cultura e Arte da UFSC. A obra foi lançada na sexta-feira (17/12), às 16h30, no Largo da Alfândega, dentro da programação do Encontro de Bois de Norte a Sul -Ano 2.

Estudioso da cultura açoriana, o pesquisador também descarta a origem do folguedo nos Açores, contrariando o pensamento de muitas pessoas que divulgam a tradição. “Nos Açores não existe boi de mamão. Há brincadeiras com o boi de verdade, no campo ou na corda”, contesta o escritor. Segundo ele, o folguedo catarinense tem semelhança com práticas ibéricas ligadas às corridas de touro como o Juego de La Vaquilla ou Toro de Mimbre, feito com bois falsos para iniciar jovens nos exercícios taurinos na Espanha – e bem diferente da forma ritualística do bumba meu boi nordestino, de influência africana.

Com 188 páginas, a obra aborda as origens do boi de mamão como folguedo folclórico em Santa Catarina, assim como formas de organização da brincadeira, desde a construção dos personagens e confecção do figurino, além da seleção das cantorias e treinamento dos cantores e dançadores para sair às ruas. O livro traz ainda ilustrações de obras feitas por artistas espanhóis no século 18, que mostram imagens de brincadeiras com bois falsos confeccionados em madeira, couro ou tecido. O trabalho é resultado da vivência como participante deste folguedo popular e de mais de 30 anos de pesquisas sobre o tema nos Açores, Portugal continental, Brasil e Espanha.

Publicado pela Associação Ecomuseu do Ribeirão da Ilha, o livro tem apoio da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes (FCFFC), Núcleo de Estudos Açorianos da Universidade Federal de Santa Catarina (NEA/UFSC), Comissão Catarinense de Folclore, Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, Associação Literária Florianopolitana (ALIFLOR) e Academia Desterrense de Letras.

Natural de Florianópolis e descendente de açorianos, Nereu do Vale Pereira é economista, especializado em Planejamento Econômico, Sociologia e Planejamento Educacional, com pós-graduação em Ciência Humanas e Sociais. Foi professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), entre outras instituições, além de ter atuado como vereador e deputado, tendo sido um dos fundadores do Partido Democrata Cristão em 1947.

Presidente da Comissão Catarinense de Folclore, Nereu do Vale Pereira é autorde dezenas de livros, artigos e vídeos sobre a cultura açoriana, com ênfase em Florianópolis e no Ribeirão da Ilha, onde dirige o Ecomuseu. Também é membro de diversas instituições culturais, entre elas, o Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, Academia Desterrense de Letras (ADL), Academia Catarinense de Letras e Artes (ACLA), Associação Literária Florianopolitana (ALIFLOR) e Conselho Estadual de Cultura.

Fonte: UFSC

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16 de dezembro de 2010

Papai Noel ou São Nicolau?

Crianças do planeta conhecem o Papai Noel, figura caricata impulsionada pela Coca Cola mundo afora, mas sequer sabem que na Ásia Menor viveu, no final do século III, um bispo, São Nicolau, santo precursor dessa figura inventada pelo marketing para incentivar vendas no período natalino.

Católicos da região de Nordrheinwestphalen, Alemanha, abriram a campanha “Zona de Livre de Papai Noel”, para fazer frente ao concorrente, que tem todo o apoio publicitário, do “bom velhinho” a proclamar “ho, ho, ho” pelos céus, movido pelo seu trenó mágico, e valorizar São Nicolau, que foi um verdadeiro bem feitor de seu tempo.

Jovens da diocese entraram na campanha, mas a partir de um outro viés. Eles trabalham na conscientização da sociedade sobre produção de cacau em países do Terceiro Mundo sob condições desumanas e de violação de direitos trabalhistas.SaoNicolau

O comércio de chocolate é grande no inverno alemão. “Nesse período pré-natalino e de consumo elevado, as pessoas não se dão conta da procedência do chocolate”, disse a coordenadora da União da Juventude Católica da Alemanha, Alexandra Horster. Em Gana, na África, fazendas exploram crianças na colheita do cacau.

Fabriciano Sigampa, bispo de Resistencia, capital da Província do Chaco, também empreende batalha contra Papai Noel, alegando que ele faz “concorrência direta” com Jesus. O bispo pede aos pais que contem a verdade às crianças sobre essa farsa. Para evitar conflitos com o bispo, comerciantes de Resistencia evitam o uso da imagem do Papai Noel nas vitrinas.

O Dia de Santa Klaus é lembrado na Alemanha no dia 6 de dezembro, mas seu destaque na sociedade é ínfimo, comparado ao seu concorrente direto, o Papai Noel. Historiadores aceitam que Nicolau nasceu em berço de família rica, na localidade de Petras, hoje Turquia, na segunda metade do século III, e falecido em 6 de dezembro de 342.

Cedo ele perdeu os pais, herdou fortuna, palacete, aproximou-se de seu tio, bispo de Patara, e, ainda jovem, foi ordenado sacerdote. Distribuiu a fortuna aos pobres e abrigou pessoas sem-teto e marginalizadas no palacete que ganhara. Empenhou-se para que essas ações de caridade fossem realizadas de forma anônima.

No reinado do imperador Diocleciano (284-305), que perseguiu os cristãos, Nicolau foi preso, libertado mais tarde, com a ascensão ao poder de Constantino, o Grande. Constantino convocou o Concílio de Nicéia, em 325, do qual Nicolau participou já na qualidade de bispo.

Muitas histórias foram atribuídas a Nicolau, sem que se possa distinguir, hoje, quais são mito, quais são reais. De uma oferta de moedas de ouro a um comerciante falido de Mira, colocadas num pé de meia, nasceu a tradição de se colocar meias junto a janelas e lareiras nas quais pais depositam guloseimas ou presentes aos seus filhos.

Vários milagres foram atribuídos a Nicolau, desde o santo timoneiro que assumiu um barco em plena tempestade em alto mar, salvando todos os seus ocupantes, até a distribuição de grãos graças à generosidade de comerciante italiano, que vira em sonho pedido do bispo. Habitantes de Mira enfrentavam, então, grande seca e período de fome.

Certo é que ele ajudou crianças pobres e órfãs. Ele é o protetor dos marinheiros, dos padeiros e amigo das crianças. Muito querido na Igreja Ortodoxa, que dedica-lhe a liturgia do último domingo do ano, no calendário Juliano. Nicolau é o santo padroeiro da Rússia, da Grécia, da Noruega, dos estudantes em Portugal, e patrono dos guardas noturnos na Armênia.

Em 1807, quando a província de Lícia foi devastada, contam que um padre em Bari recebeu em sonho ordem de São Nicolau para trasladar seus restos mortais da Ásia Menor à Itália. Tirados de Mira, 62 soldados de Bari trouxeram os restos mortais do bispo para a cidade italiana, onde dá nome, inclusive, ao estádio de futebol.

O reformador Martim Lutero introduziu o costume de presentear as crianças no dia de Natal. São Nicolau, ou Santa Klaus, também motiva a oferta de presentes, no dia 6 de dezembro. Dizem que Nicolau presta ajuda a todas as pessoas necessitadas que a ele se dirigem em oração. Certo é que ele nada tem a ver com os “ho, ho, ho” publicitários.

Fonte: ALC

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14 de dezembro de 2010

O camelô da palavra

Plínio Marcos trabalhava como palhaço de circo quando leu no jornal que um adolescente, preso por pequeno delito, fora violentado na cadeia por outros quatro prisioneiros, mortos, um a um, pelo rapaz, ao serem libertados. Chocado com o episódio, Plínio só conseguiu se libertar da angústia escrevendo uma peça, Barrela, que imaginou representada pelos atores do circo. O diretor leu a peça e respondeu que nem em sonhos levaria ao público um texto como aquele.


Pouco antes disso, Plínio conhecera a atriz Patrícia Galvão, que procurava um ator para a montagem da peça infantil Pluft, o fastasminha. Indicado por um conhecido, Plínio conseguiu o papel. A convivência com Patrícia Galvão, a Pagu, foi um deslumbramento na vida do rapaz que, na escola, tinha sido péssimo aluno, a ponto de levar dez anos - o dobro do tempo normal - para concluir o então chamado curso primário. Com Patrícia, Plínio descobriu o prazer de aprender: todo domingo, a atriz lia uma peça para seus companheiros de elenco e Plínio apresentou Barrela à atriz,que considerou o texto assombroso, coisa de um novo Nelson Rodrigues.PlinioMarcos

Na década seguinte, o novo e surpreendente autor teatral colecionou prêmios: entre muitas distinções, oito prêmios Molière, sete como melhor autor do ano, uma premiação especial. Plínio Marcos nasceu em Santos, interior de São Paulo, em 1935.Teve uma infância modesta, mas tranquila, num bairro popular, até que entrou para a escola e foi um desastre. O pai, preocupado, tentou ensinar-lhe um ofício. Plínio optou por ser funileiro, mas achou mais divertido trabalhar no circo.


Com a ajuda de Pagu, Barrela foi montada, em 1959, no Rio de Janeiro, mas proibida pela censura um dia depois da estreia. Navalha na carne, encenada por Tônia Carreiro, Nelson Xavier e Emiliano Queirós, e Dois perdidos numa noite suja também tiveram suas carreiras cortadas pela censura, durante a ditadura militar. Mas nada disso impediu que Plínio Marcos escrevesse mais de 30 peças, a maioria com personagens do submundo, prostitutas, rufiões, ladrões, a marginalidade pobre, pela primeira vez personagem do teatro brasileiro. Personagens magistralmente criados, desejados por atores e atrizes que, com eles, podem colocar em prática suas qualidades e recursos. O que este teatro não deu foi vida mansa ao seu autor que, para sobreviver, muitas vezes teve de vender seus livros pessoalmente, nas estações de metrô, saídas de teatro, bares. O que ele fazia com alegria, considerando-se um camelô da palavra. O camelô rebelde morreu em São Paulo, em 1999, mas sua palavra continua em carne viva.

Fonte: Livro 100 Brasileiros (2004)

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19 de novembro de 2010

Zumbi dos Palmares

A imagem da cabeça arrancada de Zumbi, levada ao Recife em 1695 e exibida publicamente, produz dois sentidos antagônicos: o poder opressor é capaz de derrotar os insurgidos, mas uma boa luta de fato nunca morre. Não por acaso, a imagem virou monumento no Rio de Janeiro.
Sabe-se pouco desse grande brasileiro. Nascido no quilombo de Palmares, localizado na Serra da Barriga, hoje estado de Alagoas, Zumbi se afirma como grande guerreiro, chefe destemido e último líder do maior foco de resistência negra contra a escravidão no Brasil. Em 1662, ainda menino, teria sido capturado por soldados e entregue ao padre Antônio Melo, que lhe deu o nome de Francisco e os conhecimentos de leitura e escrita em português e latim.
Aos 15 anos, fugiu e retornou a Palmares, adotando o nome Zumbi, evocando, na origem africana, o termo dzumbi: guerreiro, defunto, deus da guerra ou até morto-vivo. No quilombo, que chegou a ter 50 mil habitantes, liderou lutas vitoriosas contra os portugueses. Em 1678, diante de um 
acordo entre Ganga-Zumba, seu tio e chefe do quilombo, e o governador de Pernambuco, Pedro de Almeida, que garantia liberdade aos nascidos em Palmares, Zumbi envenena Ganga-Zumba, assume a chefia e recusa o acordo. Para ele não bastava viver livre, era necessário libertar os ainda escravos.
Zumbi(Ife/British Museum)

Zumbi queria a abolição da escravatura, não apenas a liberdade parcial de seu grupo. As investidas contra Palmares se intensificam e a resposta é dada com extraordinária resistência. Zumbi luta e faz aos seus homens o convite à morte pela liberdade. Em 1694, Domingos Jorge Velho, bandeirante paulista conhecido pela impiedade, foi convocado pelo governador para liderar a milícia que tinha como missão encontrar e destruir Palmares. Com um grupo de dois mil homens e apoio de pesada artilharia, Velho inicia a busca. Chegou a batalhar com Zumbi, baleando o líder quilombola. O episódio faz surgir o boato de sua morte. No ano de 1695, no entanto, Zumbi lidera ataques a povoados em Pernambuco.
É nesse mesmo ano que Velho chega ao ataque final contra a Cerca do Macaco, principal mocambo de Palmares. Uma intensa batalha se iniciou e a comunidade resistiu por vinte e dois dias, antes de ser derrubada. Zumbi foi ferido, mas escapou, continuando a lutar com abnegada resistência. Entretanto, traído por um antigo companheiro, é denunciado, preso e degolado em 20 de Novembro de 1695. Estava morto o herói brasileiro. A data marca no calendário do país o Dia Nacional da Consciência Negra, lembrando a história do homem nascido livre e morto por desejar a liberdade de seu povo.
Fonte: Livro 100 Brasileiros (2004)
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