17 de janeiro de 2009

Uma história de amor à natureza

Este ano, "seu João", como é conhecido, colhe uma safra recorde em sua plantação de 10 mil árvores. São 800 toneladas que estão sendo colhidas para abastecer grandes redes de supermercado do Paraná e Santa Catarina. Aos 75 anos, o maior produtor de pêra do Estado, João Brongiel, considera-se na flor da vida e faz da proteção à natureza uma bandeira.

A paixão pela fruticultura que João cultiva desde os 14 anos é repassada às novas gerações. Dois filhos e um genro trabalham na produção. "Na verdade toda a família vive em função da pêra", conta. Além disso, ele "adotou" um garoto em Araucária (PR). O menino vivia pelas ruas e morava numa favela. João convidou-o para trabalhar na produção de pêra e hoje, aos 22 anos, o rapaz comprou dois alqueires de terra e já iniciou sua própria plantação com 800 pés, além de continuar auxiliando o pai adotivo. Afinal as árvores levam pelo menos cinco anos para dar os primeiros frutos.

Os caçadores já sabem que devem ficar longe dos 26 alqueires de terra de João. Parte da propriedade é destinada à preservação ambiental. Ali ele vai plantando araucárias e árvores nativas. Quando fala da natureza, os olhos enchem-se de lágrimas. "Sou de paz, mas para defender uma árvore ou um animalzinho eu chego a brigar", confessa.

Em vez de utilizar inseticidas ou espantar os pássaros com rojões, João tem uma espécie de acordo com os passarinhos para que estes não destruam o peral. Ele plantou diversas árvores de ameixa vermelha entre os pés de pêra. "A ameixa amadurece antes e é preferida pelos passarinhos que, assim, deixam as pêras de lado", conta.

Aos 14 anos, João pediu ao pai que deixasse iniciar uma plantação de ameixas e pêras. Aos 16 anos, foi acometido por uma espécie de paralisia que o impediu de andar por seis meses. Mesmo assim, ia carregado ao pomar, verificar pessoalmente cada árvore.

A colheita inicia em janeiro e termina no final de março. Neste período, 27 pessoas trabalham no pomar e na embalagem dos produtos. No restante do ano são 15 empregados. Sacos de papel são amarrados a cada fruta o que preserva o aroma e a coloração natural da pêra. "O brasileiro antes de comprar uma fruta a cheira", ensina João. Em 1986, João colheu a maior pêra de sua vida, com peso de 1,3 kg. Depois de madura, a pêra resiste até um mês na árvore. As árvores do produtor possuem 13 anos. "Quando tiverem de 15 a 25 anos, vou colher oito caixas por pé", prevê.

A partir dos 25 anos a produção começa a cair, por isso ele já possui áreas com novos exemplares. O produtor conta que a terra do pomar está pobre em fósforo, por isso é preciso investir em adubação. No ano passado, João investiu R$ 30 mil na plantação. Este ano vai investir mais R$ 50 mil. A plantação de pêras já transformou-se em atrativo turístico.

Colonizada por descendentes de poloneses, Itaiópolis recebe, com freqüência, visitantes da Polônia que não voltam para casa enquanto não conhecem o peral de João. O produtor diz que a florada dos pés de pêra é a parte mais gratificante de sua plantação. "Isso vira um mar de flores brancas, muito bonito de se ver".

Fonte: Correio do Contestado
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