11 de abril de 2009

A marcha da Morte

Hermes da Fonseca, a mais alta patente do exército, tinha sido preso. Um decreto fechara o Clube Militar. Era um insulto. Em todos os quartéis e guarnições militares do Rio de Janeiro se comentava que a procissão ia sair. A conspiração foi tomando corpo. Do Forte de Copacabana deveria nascer à revolução. No dia 4 de julho de 1922, o capitão Euclides Hermes, filho de Hermes da Fonseca, conclamava seus comandados. Do portão até o farol do Forte cavaram-se trincheiras e minou-se o terreno.

A revolução tinha hora marcada, uma da madrugada de 5 de julho. A 1h e 20 min., o tenente Siqueira Campos disparou um dos canhões. Era o sinal. Todos ficaram em silêncio esperando a resposta das outras unidades. Passaram-se os minutos e nada. Siqueira Campos praguejou - Covardes! Cadê vocês? Mas nós já começamos e vamos até o fim. Em seguida, atirou contra o Quartel-General, a ilha das Cobras, o Depósito Naval e o Túnel Novo.

Mas o governo já estava informado do levante. Durante todo o dia 5, o Forte sofre um intenso bombardeio, vindo da Fortaleza de Santa Cruz. Na madrugada do dia 6, o ministro Pandiá Calógeras telefona exigindo a rendição dos rebeldes. O governo está decidido a esmagar o levante. Euclides Hermes e Siqueira Campos decidem, então, deixar sair todos aqueles que não querem combater. Dos 301 saem 272, restando 29.

Os couraçados São Paulo e Minas Gerais e um destróier postam-se em frente à ilha de Cotunduba e bombardeiam o Forte. C18dofortealógeras telefona mais uma vez, governo e rebeldes decidem parlamentar. O capitão Euclides Hermes vai ao encontro do ministro da Guerra, no Catete, mas é preso. Acabou o diálogo, ou os militares rebelados se rendem ou serão massacrados.

Sob o bombardeio naval, o tenente Siqueira Campos, pressionado pela tropa, toma a decisão suicida: não resistirão no Forte, nem bombardearão a cidade, como tinham ameaçado, mas sairão para combater as tropas legalistas de peito aberto. É a marcha da morte. Uma bandeira é cortada a canivete, em 29 pedaços e distribuída entre os rebeldes, sendo que um pedaço é guardado para ser entregue ao capitão Euclides Hermes.

Começa a caminhada pela avenida Atlântica. Alguns debandam. perto do Hotel de Londres, sobram 18. Um engenheiro civil, Otávio Correia, atravessa a avenida e adere aos revoltosos. Dezenove homens caminham para a morte. Mais de 3.000 soldados legalistas os esperam. Depois de alguns tiroteios, a marchada morte se prolonga com apenas 10 homens, 9 militares e o engenheiro. Uma carga de fuzilaria os faz tombar. Apenas dois sobreviverão a esse choque final: os tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes.

Fonte de pesquisa: Nosso Século, Abril Cultural, 1980.

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Um comentário:

  1. Um momento interessante e pouco comentado da história do nosso país. Parabéns ao Luiz, por trazer isso pra nós. O Alceu disse tudo, ao afirmar que sempre uma mesma classe fez o que quis na história do Brasil.

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