26 de janeiro de 2009

O desafio da miséria

Em 1895, um movimento religioso no interior do sertão baiano chamou a atenção das autoridades da República. Liderados pelo beato Antonio Conselheiro, mais de 8 mil sertanejos miseráveis fundaram, no arraial de Canudos, o Império do Belo Monte. Condenando a República, formaram uma verdadeira congregação religiosa, preparando-se para um futuro de justiça e prosperidade que viria depois do Juízo Final, quando voltaria a reinar Dom Sebastião, rei português morto pelo mouros em 1580 e transformado numa figura mítica, cuja volta era profetizada em épocas de calamidades. Surgiu, assim, uma comunidade que, além de abolir a prosperidade privada, recusava-se a pagar impostos. Era uma afronta as autoridades republicanas.


Em 1896, dois contingentes da República, um com 600 homens e outro com 1.500, apesar de fortemente armados, foram derrotados pelos sertanejos, cuja munição principal eram paus e pedras. Somente um ano depois, em 1897, Antonio Conselheiro seria morto e a população de Canudos dizimada por um exército de mais de 6 mil homens. E desfez-se a miragem de justiça e fartura que se formara nos sertões estéreis; a ilusão de uma sociedade evangélica auto-suficiente.


Antonio Vicente Mendes Maciel, o Antonio Conselheiro, nasceu no dia 13 de março de 1830 em Quixeramobim no Ceará. Filho do comerciante Vicente Mendes Maciel e de Maria Joaquina de Jesus ficou órfão da mãe aos 6 anos. Estudou aritmética, português, geografia, francês e latim. Aos 27 anos, com a morte do pai, passou a cuidar dos negócios da família, com o qual sustentava quatro irmãs. Foi também professor, escrivão de cartório e rábula, advogado sem sem diploma.


Transtornado pela humilhação de ter sido traido pela mulher, que fugiu com outro homem, passou a perambular sem destino certo pelo interior do Ceará e outros estados nordestinos. Nestas peregrinações conheceu o padre Ibiapina que também andava pelos sertões fazendo obras de caridade. Então passou a ler os Evangelhos e a divulgá-los entre o povo humilde ouvindo também os problemas deste povo. Devido aos conselhos, passou a ser chamado por Antonio Conselheiro. arrebanhando um número cada vez maior de seguidores. Em 1874, Antonio e seus seguidores se fixaram perto da vila de Itapicuru de Cima, no sertão baiano, onde fundaram o arraial do Bom Jesus.

Fonte de pesquisa: Coleção Nosso Século, Abril Cultural 1980

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