27 de julho de 2009

Amazônia ainda é vista como colônia

Foco da análise do 12o Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), a Amazônia “ainda é considerada como uma espécie de colônia pelos governos”, onde tudo é explorado, retirado, depredado e nada é investido, disse o arcebispo de Porto Velho, dom Moacyr Grecchi, anfitrião do evento.

A posição do arcebispo foi corroborada pelo sociólogo Pedro Ribeiro de Oliveira. “Agora mesmo, para tirar o Brasil de um déficit energético e aumentar as exportações, o governo abre a Amazônia para as hidrelétricas, fecha os olhos ao desmatamento, faz de conta que os povos indígenas nem existem, libera as mineradoras, enfim, faz tudo por um punhado de dólares”, denunciou.

Na avaliação do sociólogo, Bolívia, Equador e Venezuela mostram que é possível abandonar as receitas do Banco Mundial e, na construção de um outro mundo possível, “buscar um desenvolvimento nacional a partir dos povos indígenas e das classes populares”, afirmou.

Em entrevista ao Instituto Humanitas, da Univesidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Pedro Ribeiro questionou as celebrações midiáticas e espetaculares, quando as CEBs anunciam o Deus que ouve o grito dos pobres e excluídos.

Assessor do Intereclesial, Pedro Ribeiro lembrou o jeito de ser das CEBs, que fazem a relação entre fé e política. “É na atuação política – aqui entendida no seu sentido amplo, de ação na sociedade humana e na grande comunidade de vida do planeta – que se prova a fé de uma Igreja. Não é contando o número de pessoas presentes na missa ou nos cultos que se mede a vitalidade de uma Igreja, mas sim na sua capacidade de contribuir para o clima moral, para o ethos, da sociedade onde ela está inserida”, comparou.

O teólogo Benedito Ferraro afirmou que as CEBs são”o jeito normal de ser Igreja” que faz a ligação da fé com a vida. Para o teólogo Leonardo Boff, as CEBs são “uma potência da Igreja”, pois elas “dão autonomia aos mais desfavorecidos de nossa sociedade e levam aos cidadãos a mais importante libertação, a intelectual”.

Leonardo proclamou, no Intereclesial, que as CEBs da Amazônia deveriam se chamar de Comunidades Ecológicas de Base, pois elas têm o cuidado com a natureza, com as águas e com a biodiversidade.

O vice-presidente da Comissão para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Antônio Possamai, lembrou que três quartos das cidades que surgiram na diocese que pastoreava enquanto bispo em Ji-Paraná, Rondônia, foram fruto do desmatamento, das queimadas e de outros tipos de destruição da floresta amazônica.

Na análise do arcebispo de Porto Velho, as periferias que rodeiam as grandes cidades da Amazônia não apresentam situação digna de convivência. “São condições subumanas e a grande maioria dessa população é formada por indígenas que tiveram suas terras tomadas, sua cultura destruída, subjugados e marginalizados”, assinalou.

Na oração de abertura do primeiro dia do encontro, o cacique Flávio Silvio Rodrigues, da aldeia Tupã, no rio Tapajós, disse que as comunidades indígenas estavam presentes no encontro para dar testemunho de que também são pessoas humanas.

Ele condenou a perseguição que povos indígenas sofreram e ainda sofrem na Amazônia. “Sempre fomos perseguidos por causa de nossas terras. É dela que sobrevivemos. Sem nossa terra mãe não podemos viver”, afirmou.

O 12o Encontro Intereclesial tinha por tema “Ecologia e Missão”, e lema “Do ventre da terra, o grito que vem da Amazônia”. O evento reuniu mais de 3 mil participantes em Porto Velho, de 21 a 25 de julho. Celebração na Praça Madeira Mamoré, na capital da Rondônia, abriu o encontro, que contou com a presença de 4 mil pessoas.

Fonte:ALC

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3 comentários:

  1. Impressionante o descaso dos nossos governantes para com seu povo.Uma verdadeira aberração em termos ecológicos as hidro usinas no Amazonas.Estão tirando a chance de nosso filhos viverem num mundo mais sadio!E o pior ninguém faz
    absolutamente nada.Como todos ficam apáticos simplesmente assistindo ,acho que merecemos que isso aconteça.
    bju

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  2. Se os governantes não dão a mínima para seus eleitores imagine a população mundial, somente é importante os interesses deles próprios.
    A paz

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  3. Estamos tratando muito mal a Amazônia. Desse jeito não adianta reclamar se os países ricos quieserem, tomá-la de nós. Abraços.

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