11 de fevereiro de 2009

As desventuras de uma atriz francesa no Brasil

A visita de Sarah Bernahrdt ao Brasil, em 1886, foi um acontecimento sensacional. Tão sensacional que a imprensa da época não falava em outra coisa. Não só nas seções de teatro, mas também em rubricas especiais, nas primeiras páginas. Pelas colunas de O País, Joaquim Nabuco, em artigo entusiástico, queria que ela fosse aclamada duas vezes: porque ela vinha como Sarah Bernhardt e como a própria França.

Musa inspiradora dos maiores escritores europeus, como Proust, que a exaltou em A la Recherche du Temps Perdu, a atriz francesa ficou frustrada com o público do Rio de Janeiro, que reagiu com frieza às suas representações na Fedra,  de Sardou, e em  A Dama das Camélias, de Dumas Filho, interrompida devido a brigas de estudantes na platéia. Mais tarde, seu filho foi espancado por um indivíduo, no hotel em que estavam hospedados. Tudo isso e a ameaça de febre amarela fizeram a divina Sarah bater em retirada para a Europa.

Voltando ao Brasil em 1893, sofreu novas decepções ao ter sua casa assaltada por ladrões que levaram todos os seus valores em jóias e dinheiro. E, para cúmulo da má sorte, o navio em que embarcou foi bombardeado, à saida da baia da Guanabara, durante as refregas da Revolta da Armada.

No entanto, a sucessão de desastres da atriz no Brasil não terminou aí. Em 1906, ela voltaria pela última vez ao Rio de Janeiro, onde teve mais uma surpresa amarga. Na representação da Tosca, tinha que atirar-se, no final, do alto de um parapeito. No chão eram colocados grossos colchões que receberiam a atriz em sua queda. Mas um funcionário desavisado retirou os colchões. Chega a cena do suicídio e uma velha de 61 anos se atira confiante, ao espaço, se esborrachando no tablado. A queda provocou violenta contusão em uma de suas pernas que teve de ser amputada posteriormente. Nunca mais voltou ao Brasil.

Fonte de pesquisa: Nosso Século, Abril Cultural,1980.

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Um comentário:

  1. Rapaz, se urucubaca existe, ela pegou todas a volta dela naquela época. Um abraço. Drauzio Milagres.

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