24 de julho de 2009

Entrevista: Gilmar Zanluchi e a Inclusão Digital no campo

Além do programa de treinamentos do Senar/SC, a Faesc comprará dois microônibus  para levar o ensino de informática ao meio rural através do Programa de Inclusão Digital desenvolvido pela CNA

Desenvolver ações de formação profissional rural e atividades de promoção social, contribuindo para qualificação, integração na sociedade, qualidade de vida e cidadania do produtor e trabalhador rural, fazem parte da missão do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC), órgão vinculado à Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc). As capacitações são realizadas nas comunidades rurais, utilizando lavouras, estábulos, aviários, criatórios de suínos e galpões como salas de aula.

Em 2008, o Senar investiu, cerca de R$ 12 milhões de reais para desenvolver seu plano de trabalho nas áreas de formação profissional rural, promoção social, gestão de recursos humanos e outras atividades. Participaram cerca de 168.660 produtores e trabalhadores rurais em 5.379 eventos realizados nas microrregiões catarinenses. Nesse período, o número de participantes cresceu 10% e o de ações, 25%.

Para o ano de 2009 estão previstas cerca de 5.877 ações em cursos e treinamentos. Somente nos cursos de formação profissional rural (FPR) e promoção social (PS), o Senar/SC deverá envolver cerca de 189.443 mil produtores rurais, com idade a partir de 16 anos. O acompanhamento mensal dos cursos pode ser feito via site www.senar.com.br.zanluchi1

Nesta entrevista, o superintendente do Senar/SC, Gilmar Zanluchi, fala sobre o que os cursos representam na vida do produtor rural, como eles tem contribuído para evitar o êxodo rural e o início do processo de inclusão digital no campo, que promete se estender nas propriedades a partir do segundo semestre deste ano.

Qual a proposta do Senar para a capacitação do homem do campo?

Gilmar Zanluchi – Trabalhamos com a metodologia do aprender a fazer fazendo. Não investimos em estruturas físicas, centros, prédios e instalações, mas no capital humano. Atuamos basicamente em formação profissional rural e em promoção social. A maior parcela do esforço instrucional está direcionada para a formação profissional rural (FPR) que cresce substancialmente, beneficiando pessoas com treinamento nas áreas de agricultura, pecuária, silvicultura, aqüicultura, agroindústria, atividades de apoio agro-silvo-pastoril, prestação de serviços dentre outras.

Para o segundo semestre deste ano, está prevista a implantação do projeto de inclusão digital nas propriedades rurais. De que forma será viabilizado e como será a logística desta iniciativa?

Zanluchi – A Faesc comprará dois microônibus para levar o ensino de informática ao meio rural através do Programa de Inclusão Digital desenvolvido pela CNA. Os microônibus serão adaptados em unidades móveis de informática, equipados com computadores para atender o público alvo do programa de Inclusão Digital Rural. Consideramos a iniciativa de extrema importância, já que a dependência das pessoas na atividade rural reforça a necessidade de ensinar produtores e trabalhadores para o uso do computador para potencializar a gestão dos seus negócios.

Quais os resultados que se pretende atingir com as capacitações programadas para este ano?

Zanluchi – Esse tipo de formação objetiva a inserção de trabalhadores rurais acima de 16 anos de idade no mercado de trabalho. As ocupações mais trabalhadas são as de prestação de serviços e beneficiamento primário na produção da agroindústria como a cadeia produtiva do leite, trabalhadores na aplicação de agrotóxicos e o gerenciamento da propriedade rural com os cursos de administração rural. Mas também temos outras inúmeras ações, à exemplo das de promoção social (PS), mais focada em desenvolver aptidões sociais e pessoais do trabalhador rural e sua família, numa perspectiva de maior qualidade de vida, consciência crítica e participação na vida da comunidade. O resultado esperado é dar dinamicidade ao campo, resgatar a atividade forte do meio rural. Proporcionar que o trabalhador pense sua propriedade como um negócio, gerando lucro, renda, preocupação com o meio ambiente e qualidade de vida.

Qual o custo para o produtor rural participar destas ações?

Zanluchi – O produtor rural não precisa desembolsar recursos para participar destas ações do Senar/SC. Com base em suas necessidades podem manifestar interesse pelos cursos e treinamentos junto a um de nossos parceiros - sindicatos de produtores rurais, associações de produtores, prefeituras, as agroindústrias e outras entidades ligadas ao agronegócio. Também pode manifestar interesse para própria entidade, que está sempre à disposição do produtor rural.

De onde vêm os recursos que financiam o Senar?

Zanluchi - Os recursos financeiros do Senar advém de três fontes principais: a contribuição compulsória correspondente a 0,2% da receita bruta resultante da venda de produtos agropecuários cujo percentual é recolhido, fiscalizado e repassado pelo INSS e o equivalente a 21% do valor de referência regional para cada módulo fiscal atribuído a imóveis rurais além de convênios com o FAT e outras fontes.

A capacitação do produtor rural consegue conter o êxodo rural?

Zanluchi - A migração da população rural para as áreas urbanas - fenômeno universal conhecido como êxodo rural – tem sua gênese no crônico empobrecimento do produtor rural e na conseqüente queda de sua qualidade de vida. Estancar o êxodo rural exige investimentos na capacitação do produtor para que, com seus próprios recursos, obtenha renda e conquiste as condições materiais para uma vida digna no campo. A linha de atuação do Senar, converge para essa visão do problema e, pela via da instrução, busca superar o empobrecimento pela prosperidade.

Como a entidade planeja as ações para os produtores rurais?

Zanluchi – Cada curso/treinamento, tem sua particularidade. Tem um objetivo, uma metodologia. Mas, no geral, quando nossos supervisores, instrutores e equipes pensam as ações e vão a campo, tem claro que as famílias precisam trabalhar com planejamento, com mão-de-obra qualificada, com gerenciamento. É cada vez mais necessário o produtor rural considerar sua propriedade rural como um empreendimento, uma oportunidade de negócio. Desta forma, garante seu trabalho e sua família no campo.

Fonte: Marcos A. Bedin
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