24 de outubro de 2009

Sexo oral no ônibus

A escola patrocinou, entre seus 40 melhores alunos, uma viagem ao Museu da Pontifícia Universidade Católica e ao Planetário na cidade de Porto Alegre.

A história tem, sucessivamente, quatro cenários: um ônibus escolar, um sóbrio colégio de freiras em uma cidade do sul do Brasil de  colonização italiana, justiça da mesma cidade e a sessão de uma câmara cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul formada por desembargadores de riso contido e rubor facial.

Já no retorno, início da noite de uma sexta-feira hibernal, aconteceu o que "não estava no programa": um casal de jovens, recém ingressados na maioridade, praticou sexo oral no último banco do ônibus. Ela, ativa; ele passivo. 
Apropriadamente, duas colegas coniventes mantinham-se de pé, no corredor, numa tentativa para que a visão do panorama fosse obstada pelos demais partícipes da viagem.


No dia seguinte, a direção da pia instituição determinou uma investigação. A diretora ouviu dez excursionistas e decidiu pela aplicação de pena de suspensão de oito dias dos dois alunos. O que já era um diz-que-diz na cidade se transformou numa notícia bombástica. Cumprida a pena de suspensão, o jovem se conformou. Já a companheira - inflada pelo incentivo de colegas quanto à liberdade sexual - foi ao escritório de notório advogado e não deixou por menos: - Quero fazer uma ação por dano moral contra as freiras!

Assim foi feito - o advogado caprichou na argumentação, calcando que tudo não passara de fofocas e que ninguém teria visto libertinagem alguma. A juíza, por prudência, ordenou segredo de justiça. Colheu a contestação da escola e ouviu a autora e oito testemunhas. A sentença, embora singela, calcou no puntum dollens do caso:
"houve sexo oral no ônibus, sabidamente um local impróprio para essa intimidade, mesmo considerada a maioridade dos envolvidos".

Houve apelação no Tribunal de Justiça, o desembargador relator, após minudente relatório e conciso voto, concluiu:
- Colegas, vou usar só uma frase do depoimento de uma das testemunhas para concluir pelo improvimento do apelo. 

E desfiou:
-
"Fulana era um pouco largada, falava palavrões e sobre coisas do sexo. Disse para a depoente que já havia transado com uns caras há tempos atrás. E confirmou que tinha feito sexo oral no ônibus com o beltrano e tinha sido muito gostoso".

A desembargadora-revisora ficou corada, enquanto resumida e tecnicamente dizia:
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"Restando assente que a punição ocorreu com lastro em justa causa, a indenização pelos danos morais igualmente não merece acolhida, na medida em que a responsabilidade civil é afastada quando há culpa exclusiva da própria vítima". O magistrado  vogal foi sintético: - Se a autora ficou mal vista na cidade, tal ocorreu por sua exclusiva culpa. 

Um dia depois de publicado o acórdão, ingressou no TJ petição de desistência de todo e qualquer recurso. Então, o processo subiu, de retorno, à serra gaúcha. Ali, depois de consultar as partes - e receber a concordância dos advogados - a juíza determinou que os autos fossem incinerados. Mas há quem tenha em mãos cobiçadas cópias de peças processuais.


O romance é até hoje comentado na cidade, onde ficou conhecido como "o caso do picolé".

Fonte: Espaço Vital

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9 comentários:

  1. è cada uma que acontece nesse nosso paíz!

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  2. É incrível os assuntos que chegam até a Justiça, imagina o constrangimento para tratar desse assunto numa corte superior.

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  3. A "vítima" deve estar atuando em puteiro em Porto Alegre, será que bota isto no currículo?

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  4. Ela ,sentindo-se ultrajada pois no pau ! Mas não obteve sucesso.

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  5. O Caso do Picolé não é o único neste país! Infelizmente tem pessoas que não se importam com o pudor. Eu já vi na Praia de Botafogo um casal se amando feliz da vida. Eu e os demais passageiros do mesmo onibus. Estávamos parados por causa de engarrafamento. Não sabíamos se ríamos ou se sentíamos constrangimento!

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  6. hehehehe a sacanagem não tem limite mais, rs. Abraços

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  7. O caso do picolé essa é boa. Ótimo post, a sei lá o mundo ta louco, santo ninguém é mais depravação total isso não é legal, no meu ponto de vista. Tem gente que faz de tudo para se mostrar, inclusive chupar picolé no ônibus, eu hein

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