30 de setembro de 2009

O Tempo

Acostumamos-nos a pensar o tempo como cronológico, ordenado pelos pontos do relógio ou do calendário.

Por: Návia T. Pattussi/Psicanalista/naviat@terra.com.br

Temos as estações do ano, os dias, os anos e assim vamos contando cada instante. A pressa para chegar no horário, a perda de tempo, o medo dele ao chegar a velhice, o tempo de sonhar, o tempo de sorrir, de receber. O tempo dos nossos avós, dos nossos pais! O tempo de criança, o tempo de adolescente e o tempo da maturidade.relogio200

Quantas vivências podemos ter sobre isso! Vivências que não necessariamente se coadunam com o tempo inventado por nós, que é o cronológico. Por vezes vivemos como se não fossemos morrer nunca e deixamos para amanhã ou para depois ou para o futuro, geralmente o que pode nos fazer bem: o cumprimento do compromisso, a viagem tão sonhada, o fim de semana no campo, o filme, o livro, o encontro. Como se tivéssemos a certeza de que o amanhã existirá! Mas, de fato, a temos?

Na infância não temos desenvolvida a noção do tempo, apesar de sabermos, a partir de certa idade, ver as horas e aprendermos como contá-lo. Mas viver o tempo é algo que vai para além disso. A vivência do tempo é psíquica, é uma forma de existir na vida.

Quando crianças, não temos noção de nossa existência. Somos alvo de emoções e vivências que simplesmente passam por nós, apesar de nos marcarmos profundamente. Os dias passam e são recheados de novidades. Oferecem um mundo de imagens e vozes no qual nos embrenhamos, sem entender muito o significado disso tudo, mas querendo conhecê-lo. A consciência do passado e do futuro se restringem às satisfações que experimentamos ou que buscamos.

Na adolescência, é o momento das descobertas do mundo através de outro registro. O mundo e o si próprio, passam a ter um outro significado e com freqüência são questionados. Há a urgência. Muitos jovens consideram que viver a vida é aproveitar cada instante para buscar novas sensações, novas emoções, simplesmente estimulações corporais de prazer.

Na minha concepção a vivência do tempo na maturidade é sui generis. Chega um momento da vida – quando ele chega, pois para muitos esse tempo não chega – em que não é mais possível fazer ensaios. Em que os minutos são preciosos, e no qual temos a consciência de que as experiências que perdemos não voltam mais, assim como a saúde, a energia e o bem-estar.

Chega um tempo que traz consigo uma consciência maior da finitude e da própria morte. Viver na “realidade”, com os pés no chão, não é só dor! Penso que pode ser muito mais, alegria, esperança e responsabilidade. As vivências profundas do amor, da dor, do companheirismo, da amizade, da leitura, da música, da própria inteligência, dos dons que temos, enfim de tudo o que nos dá prazer ou desprazer, mas que nos eleva, são ganhos inigualáveis! Felicidade não seria isso, mesmo que fugaz e com términos e retornos?

E como dizia Cazuza, “O Tempo Não Pára”, nos consome e some, vem junto com o desgaste de nossos corpos, e nos impõe a instigante e surpreendente sensação de que tudo pode acontecer a cada instante, à nossa revelia. O que nos espera o próximo minuto, hora, dia, ano, futuro? Tudo, ou nada! Essa não previsibilidade real do que pode acontecer - apesar de fazermos planos e precisarmos deles sim para dar algum sentido à vida – é uma caixa cheia de surpresas, tanto para o bem quanto para o mal, também.

O que é um verdadeiro alento é a constatação de que depende somente de cada um de nós a forma como nos colocamos diante do inusitado: pensando que ele pode se repetir e desperdiçando-o ou tomando-o na sua mais radical verdade, que é a fugacidade dos instantes e que por isso precisa que os aproveitemos ao máximo. Isso, sim, é uma questão de escolha e ganho pessoal!

Fonte: MB Comunicação
Assessoria de Imprensa
(49) 3323-4244, (49) 9967-4244
mb@mbcomunicacao.com.br

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Um comentário:

  1. Passei um "tempo"aqui amigo e confesso que ganhei muito, pois pude apreciar e aprender muito mais sobre o tempo, tempo este que muitas vezes nào levamos em consideração, pois achamos que ele é eterno... Um dia o tempo acaba e fica a pergunta: O que eu fiz?
    Devemos sim dar maior atenção a ele.
    Um ótimo texto amigo... Parabéns pelo post.
    Abraços

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