25 de fevereiro de 2009

É preciso construir a paz positiva e não a paz da violência

O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Dimas Lara Barbosa, abriu oficialmente a Campanha da Fraternidade 2009, durante a missa presidida pelo arcebispo de Aparecida, dom Raymundo Damasceno Assis, nesta quarta-feira, 25, no Santuário Nacional de Aparecida. “É preciso construir a paz positiva e não a paz da violência”, afirmou dom Dimas na homilia da missa.


Segundo o secretário, a Campanha cujo tema é "Fraternidade e Segurança Pública" e o lema "A paz é fruto da justiça (Is 32, 17)", vai discutir todo tipo de violência. “Há o problema da violência doméstica em que a criança e a mulher são as maiores vítimas. Há ainda a violência simbólica que criminaliza as pessoas que moram nas favelas”, explicou.

O objetivo geral da CF-2009 é suscitar o debate sobre a segurança pública e contribuir para a promoção da cultura da paz nas pessoas, na família, na comunidade e na sociedade, a fim de que todos se empenhem efetivamente na construção da justiça social que seja garantia de segurança para todos. A paz buscada é a paz positiva, orientada por valores humanos como a solidariedade, a fraternidade, o respeito ao "outro" e a mediação pacífica dos conflitos, e não a paz negativa, orientada pelo uso da força das armas, a intolerância com os "diferentes", e tendo como foco os bens materiais.

Para que o objetivo geral seja atingido, são propostos objetivos específicos:

  • Desenvolver nas pessoas a capacidade de reconhecer a violência na sua realidade pessoal e social, a fim de que possam se sensibilizar e se mobilizar, assumindo sua responsabilidade pessoal no que diz respeito ao problema da violência e à promoção da cultura da paz.
  • Denunciar a gravidade dos crimes contra a ética, a economia e as gestões públicas, assim como a injustiça presente nos institutos da prisão especial, do foro privilegiado e da imunidade parlamentar para crimes comuns.
  • Fortalecer a ação educativa e evangelizadora, objetivando a construção da cultura da paz, a conscientização sobre a negação de direitos como causa da violência e o rompimento com as visões de guerra, as quais erigem a violência como solução para a violência.
  • Denunciar a predominância do modelo punitivo presente no sistema penal brasileiro, expressão de mera vingança, a fim de incorporar ações educativas, penas alternativas e fóruns de mediação de conflitos que visem à superação dos problemas e à aplicação da justiça restaurativa.
  • Favorecer a criação e a articulação de redes sociais populares e de políticas públicas com vistas à superação da violência e de suas causas e à difusão da cultura da paz.
  • Desenvolver ações que visem à superação das causas e dos fatores da insegurança.
  • Despertar o agir solidário para com as vítimas da violência.
  • Apoiar as políticas governamentais valorizadas dos direitos humanos.

Fonte: CNBB

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Um comentário:

  1. É isso aí, Luiz. Precisamos colocar em prática o que já estamos calejados de saber na teoria. Essa parece ser uma boa iniciativa.

    Abraços

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