12 de agosto de 2011

Automedicação pode ser fatal

Segundo a ABIFARMA, cerca de 20 mil pessoas morrem por ano no Brasil em razão do uso excessivo de medicamentos. A maioria das pessoas tem consciência de que a automedicação não é aconselhável e pode trazer riscos de menor ou maior proporção. No entanto, é comum a ingestão de remédios sem orientação médica para os mais variados problemas de saúde. “Além de disfarçar alguns sintomas de uma doença mais grave, o que atrasa o diagnóstico e compromete o tratamento, o uso inadequado de medicamentos pode trazer consequências como uma reação alérgica leve ou um quadro grave de intoxicação”, alerta a farmacêutica da Unimed Chapecó,Tatiana S. Aléssio.

Segundo a Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas (ABIFARMA), cerca de 20 mil pessoas morrem por ano no Brasil em função do uso de medicação sem orientação médica. O último levantamento do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX) mostra que houve 7.117 casos de intoxicações por medicamentos em 2009 na região Sul, representando 26,82% das intoxicações no Brasil. Destas, 18 pessoas foram a óbito e 21 ficaram com sequelas.automedic

O consumo indiscriminado de antibióticos causa um dos problemas mais importantes atualmente na saúde pública, que é a resistência bacteriana. Com as bactérias cada vez mais resistentes e o próprio progresso da Farmacologia, há mais bactérias e mais antibióticos. Drogas antes muito eficientes contra determinadas bactérias deixam de fazer o efeito desejado. Então surgem novas famílias de antibióticos, mas o problema é que as bactérias também se “aperfeiçoam”, gerando um círculo vicioso.

Outra consequência do uso crônico de antibióticos sem necessidade está relacionada aos danos ao próprio organismo do paciente, o que pode causar problemas hepáticos, renais, entre outros. A ingestão de remédios por conta própria também pode resultar em uma interação medicamentosa. A farmacêutica explica que isso pode acontecer quando os medicamentos são administrados concomitantemente e podem interagir de três formas: um pode fortalecer a ação do outro, pode haver perda de efeitos por ações opostas ou a ação de um medicamento pode alterar a absorção, transformação no organismo ou a excreção de outro remédio. “A avaliação da ingestão se determinados fármacos podem alterar alguma função do organismo e causar reações adversas ou não deve ser feita somente por médicos ou farmacêuticos”, alerta Tatiana.

Tatiana destaca que o fato de determinadas substâncias (usadas indiscriminadamente) alterarem as condições fisiológicas do organismo de um indivíduo é, muitas vezes, ignorado. O uso indiscriminado de medicamentos à base de um analgésico-antitérmico como a dipirona, por exemplo, pode baixar os níveis das células de defesa encontrados no sangue, ocorrência chamada de agranulocitose. Sua duração é de pelo menos uma semana, pode ser severa e oferece risco de vida e pode ser fatal. Uma hemorragia cerebral pode ser causada devido à combinação de um anticoagulante com um simples analgésico. “A principal enfermidade que leva ao uso de medicamento sem orientação médica é a cefaleia e, por esta razão, o grupo farmacológico que prevalece são os analgésicos”, salienta Tatiana.

O artigo 2° da Resolução do Conselho Federal de Farmácia (CFF) n° 542/11 define que a dispensação de medicamentos antimicrobianos de venda sob prescrição somente poderá ser efetuada mediante a apresentação de receituário privativo do prescritor ou do estabelecimento de saúde, prescrito em duas vias. A segunda via deve ser retida no estabelecimento farmacêutico e a primeira devolvida, atestada pelo farmacêutico, como comprovante do atendimento.

Até então, os antibióticos eram vendidos sem restrição. A população utilizava principalmente para dor de garganta, dor de cabeça, dor muscular, febre, pressão alta/baixa, entre outros sintomas.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), as infecções causam 25% das mortes em todo o mundo e 45% nos países menos desenvolvidos. A metade dos consumidores compra o medicamento para um dia, 90% compram-no para período igual ou inferior a três dias. “O tratamento prescrito pelo médico não é seguido. Cabe ao farmacêutico orientar, educar e fornecer ao consumidor todas as informações sobre o medicamento, assegurando o uso adequado e ressaltando a importância de seguir o tratamento até o final”, explica a farmacêutica.

Medicamentos de venda livre são aqueles que podem ser adquiridos sem receita médica. Eles permitem que as pessoas aliviem muitos sintomas incômodos e curem algumas enfermidades de forma simples e sem as despesas de uma consulta médica. Porém, como esta ação pode ser considerada uma prática de automedicação, deve prevalecer o bom senso e a responsabilidade. “A veiculação constante de propagandas através da mídia eletrônica é, muitas vezes, um fator que contribui para a automedicação”, expõe Tatiana.

Os medicamentos de venda livre mais conhecidos são antigripais/descongestionantes nasais como Benegrip, Afrin, Coristina D, analgésicos/antitérmicos como a Aspirina, Tylenol, Novalgina, antialérgicos como Polaramine, Claritin, medicamentos para enjoo, como o Plasil e Dramin, entre outros.

A farmacêutica alerta que, para usar o medicamento de venda livre, é necessário orientações do farmacêutico – profissional qualificado para conscientizar o paciente sobre o uso correto de medicamentos para o alívio de males que afetam a saúde.

Hipocondríacos são os indivíduos mais susceptíveis a automedicação, pois preocupam-se em excesso com uma possível doença. Descobrem métodos alternativos para curar suas “doenças” e sentem-se melhor ao tomar uma série de medicamentos. Geralmente, esta prática leva ao vício em remédios. Automedicar outras pessoas também traz um problema sério para a população, pois o que cura um organismo, não necessariamente terá o mesmo êxito em outro.

MARCOS A. BEDIN

MB Comunicação Empresarial/Organizacional

mb@mbcomunicacao.com.br

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