10 de janeiro de 2010

Por que fracassamos diante do êxito?

É uma coisa muito estranha, esquisita! Fracassar quando há a possibilidade de êxito! Vocês já devem ter percebido ou vivenciado isso em algum momento. Uma situação tipo fazer um esforço muito grande para alcançar algo, como o caso daquele que está quase se afogando no meio do mar, tenta desesperadamente sobreviver, acaba aprendendo a nadar à força, mas morre na praia. Ou então, a eterna repetição no meio artístico de artistas que se suicidam em pleno sucesso.

Chegando mais perto da nossa realidade íntima me refiro às situações em que um sujeito inteligente comporta-se como deficiente, fazendo maus negócios, gerenciando mal seu trabalho. O que faz a diferença entre aquele que tem êxito nas suas iniciativas e o outro que não consegue fazer valer suas potencialidades, embotando-as? Uma das hipóteses poderia ser falta de informações o que é a circunstância mais fácil de resolver. Porém, existem situações em que pessoas muito bem informadas e cultas não têm êxito nos seus negócios.ponty

Existem outros fatores também. O perfil construído por nós de que quem é inteligente e estudioso é exitoso, ou quem é belo e comunicativo é mais bem amado do que os outros será que se sustenta? A realidade nos mostra que não. Nada, absolutamente nada nos dá garantia em relação a alguma coisa. Todas as combinações podem ser possíveis. É fato que numa sociedade como a nossa, que privilegia as aparências, as imagens, o que parece ser mais belo e melhor entra com certa vantagem. Mas a questão me parece mais que é como sustentar o lugar que se alcança ou que se está na eminência de alcançar? Isso vale também para o relacionamento amoroso e social.

Uma das hipóteses é abrir mão da condição infantil, que por vezes pode nos acompanhar, de que há em algum lugar certo amparo, alguém que pode nos salvaguardar do fantasma eminente do abandono e nos proteger. Pessoas que conseguem enfrentar a condição humana de que somos sim eminentemente sós parecem ter mais facilidade para lançar-se nas situações e assumir integralmente o lugar alcançado ou a alcançar, como profissional, amante ou amigo. Quando isso não é possível é provável que o sujeito se mantenha numa condição de dependência emocional e por vezes até financeira (que é um reflexo da dependência emocional), emburrecendo-se, privando-se de avançar.

O tempo passa, mas nossas marcas infantis nunca nos abandonam. Podemos aprender a lidar com elas, para que se aquietem, mas seus suspiros permeiam geralmente nossas iniciativas. É o frio na barriga diante do novo, o pavor e a excitação frente ao que é muito desejado, o passo atrás que se interpõe àquele que quer ir adiante.

A responsabilidade acho que é isso: a consciência absoluta de que, não importa quais sejam os descaminhos que marcaram o nosso passado, quem escreve o nosso presente somos nós, do jeito que nos for possível e não adianta reclamar do pai, da mãe ou de sei lá quem.

Por: Návia T. Pattussi/Psicanalista/naviat@terra.com.br

Fonte: MARCOS A. BEDIN/MB Comunicação Empresarial/Organizacional

mb@mbcomunicacao.com.br/marcos.bedin@mbcomunicacao.com.br

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4 comentários:

  1. Muito boa matéria, devemos crer em nosso potencial, e seguir em frente.
    Abraços forte

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  2. Amigo Luis,

    Um texto muito consciente,que mostra que somos sim,o reflexo de nossos proprios atos.

    Por vezes nos contentamos em achar culpados por nossa propria inanição.

    A situação política de nosso País é uma bela amostra disso.

    Um grande abraço.

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  3. Ótimo texto!

    Nosso potencial deve estar sempre a nossa frente.

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  4. Fracassar é um palavra que não gosto de ouvir. Busco sempre atingir meus objetivo, até mesmo quando não consigo, não classifico como fracasso, apenas com um acidente de percurso. Abraços

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