3 de julho de 2011

O rouxinol brasileiro

Com a vocação revelada desde muito cedo - aos 10 anos já cantava e tocava clássicos ao piano; aos 16 se apresentava em teatros do Rio de Janeiro e conquistou, de forma pioneira, os mais importantes palcos do cenário clássico internacional. Ainda muito jovem, buscou na Europa o aperfeiçoamento técnico. Primeiro na Romênia, mais tarde na França. Na década de 20, estreava na Itália, no Teatro Constanzi de Roma. Nos Estados Unidos, onde consolidou carreira, chegou em meados dos anos 30. Passou a integrar, a convite do maestro italiano Arturo Toscanini, os quadros da Orquestra Filarmônica de Nova Iorque.

Voz maior do canto lírico nacional, Bidu Sayão nasceu no Rio de Janeiro em maio de 1902. Balduína de Oliveira Sayão, seu nome de batismo, perdeu o pai aos cinco anos. Da mãe, que foi sua grande incentivadora, herdou o apelido. Dedicou-se ao canto lírico desde cedo e estreou aos 18 anos, no ThBiduSayaoeatro Municipal do Rio de Janeiro, na ópera "Lucia de Lammermoor", de Gaetano Donizetti. Apesar da acolhida positiva de público e crítica, resolveu postergar o início da carreira para aperfeiçoar seus estudos.

"Ela tem uma voz admirável, de encanto impregnante", disse o escritor e musicólogo Mário de Andrade, que a apelidou de rouxinol brasileiro. A temporada de 1936 no Carnegie Hall consagrou a brasileira de maneira definitiva. Interpretando Manon, de Jules Massenet, estreou, no ano seguinte, no Metropolitan Opera House - Olimpo das grandes vozes da ópera - sendo ouvida no Rio pelos fãs que acompanhavam o espetáculo através de uma esperada transmissão radiofônica. Testemunhavam assim, grande triunfo da brasileira, que iria fazer parte dos elencos estáveis da casa operística americana durante os anos seguintes.

A carreira no exterior nunca a impediu de voltar ao Brasil para cantar. Com a voz límpida e delicada, e imprimindo estilo e densidade dramática em suas interpretações, Bidu Sayão viveu em cena 22 grandes heroínas, entre elas, Mimi, de La bohème (Puccini), Gilda, de Rigoletto (Verdi), e Ceci, de O Guarani, de Carlos Gomes.


Na década de 40, foi consagrada com a segunda colocação no concurso que escolheu a cantora lírica mais popular dos Estados Unidos. Cantou na Casa Branca para o casal Roosevelt, quando recusou a oferta da cidadania americana feita pelo então presidente. Queria terminar vida e carreira como brasileira. Parou de cantar no auge da fama e do reconhecimento, de maneira definitiva, em 1958. A última aparição pública foi feita, a pedido de Villa-Lobos, no Carnegie Hall, em Nova York. São de Villa-Lobos as mais importantes gravações registradas por Bidu, entre elas, das Bachianas nº 5 e da Floresta do Amazonas. Morreu, nos Estados Unidos, aos 96 anos, no ano de 1999, fazendo planos para comemorar seu centenário na terra natal.

Fonte: Livro 100 Brasileiros (2004)

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