10 de fevereiro de 2010

Receita de felicidade

Parece piegas o título deste artigo, para não dizer... mas dizendo..., ridículo. Mas enfim, vira e mexe creio que todos nós em algum momento nos questionamos quanto ao que fazer para vivermos mais felizes, posto que, em última instância, quem não busca isso?

Digamos que seja uma busca atávica essa de encontrarmos felicidade. Busca que transcende a história, os costumes, as épocas. O perfil psicológico do ser humano mudou e sempre trouxe consigo o reflexo das leis biológicas, sociais, econômicas e culturais de uma determinada época. As necessidades do homem do século XXI, em termos afetivos, materiais, sociais, políticos e econômicos por certo não são as mesmas daquele da Idade Média ou da antiga Grécia.felicidade

Porém, em que pese essas diferenças, o desejo de ser feliz é algo que se mantém, como se fosse uma linha de ligação entre os tempos, entre os homens. O que muda é a forma de pensar-se feliz. Uns imaginando alcançar um grande amor, outros, ganhando mais dinheiro, alguém, tendo filhos e enfim, a lista pode ser infinita. São momentos apenas... tudo bem... pois como dizia Vinicius de Moraes, que sejam eternos enquanto duram. A finitude deles talvez seja a marca do que é ser feliz. Somos felizes por que há a dimensão do tempo. Tudo acaba e nada dura para sempre, tanto para o bem quanto para o mal. Quando algo se mantém por um tempo indeterminado, a sensação de felicidade se esvai. Parece que tem que haver a surpresa, o embevecimento do encontro com o desconhecido, o novo. Na verdade nada é igual: como o tempo não se mantém, o vivido não volta mais e, portanto os novos momentos não serão exatamente iguais aos que foram experienciados.

Temos a tendência a repetir determinados padrões de comportamento, como por exemplo, o mesmo jeitão de relacionar-se com as pessoas, a mesma forma de amar, etc, porém, a nova vivência sempre traz consigo a marca do inusitado, da diferença também. Para sentir o prazer dos momentos felizes eles precisam ter fim e... ter o recomeço, para que consigamos demarcar a diferença entre o que nos apraz ou não.

Voltando à Receita de Felicidade, podemos dizer então que os ingredientes mudam de acordo com o gosto de cada um, o que significa que não há uma receita que sirva para todos. Porém, digamos, que algumas evidências se mantêm, quanto ao “modo de fazer”. O filósofo grego Aristóteles, no livro “Ética a Nicômaco”, escrito em torno do ano 347 antes de Cristo, coloca:

“Contudo, mesmo que a felicidade não seja uma graça concedida pelos deuses, mas nos venha como um resultado da virtude e de alguma espécie de aprendizagem ou exercício, ela parece incluir-se entre as coisas mais divinas...

... quem quer que não esteja mutilado em sua capacidade para a virtude pode conquistá-la por meio de um certo tipo de estudo e esforço. Mas se é preferível ser feliz dessa forma a sê-lo por acaso, é razoável supor que seja assim que se atinge a felicidade... Confiar ao acaso o que há de melhor e de mais nobre seria um completo contra-senso.” (Claret,2007, p.31)

Dentro dessa concepção, há que se ter disciplina para alcançar alguns objetivos. De nada serve uma inteligência e sensibilidade se não forem canalizadas através de métodos de estudo, por exemplo, ou de estratégias para alcançar metas. Quanto aos sentimentos também ocorre algo semelhante. Para realizar nossos anseios vale o olhar premeditado, a conversa ensaiada o rumo delineado para alcançar o horizonte, mesmo que...chegando lá... nos alegremos e tenhamos que pensar... e agora, para onde vou?

OBS: As receitas culinárias nos servem para fugazes momentos. A cada vez que fazemos um bolo recorremos a elas, posto que ele sempre acaba e precisa ser feito novamente para degustá-lo.

Por: Návia T. Pattussi/Psicanalista/naviat@terra.com.br

Fonte: MARCOS A. BEDIN

MB Comunicação Empresarial/Organizacional

mb@mbcomunicacao.com.br

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