14 de agosto de 2011

A “falta” liberta… o Desejo!

Um dos tantos paradoxos que fazem parte de nossa vida refere-se à sensação de “falta”. Como quando falamos, por vezes sem perceber, dizemos sempre mais do que tencionamos, procuro no dicionário Aurélio os significados de “falta”, que escapam para além do que digo. Essa palavra designa ausência, carência de algo, ao mesmo tempo em que inclui também a dimensão do engano, culpa, defeito. Para a psicanálise “falta” também pode ser “castração”. Falta de amor, falta de objetivo, falta de saúde até, falta de amigos, falta de qualquer coisa. Faltar sempre algo é inerente à condição humana assim como a nossa inaceitabilidade desta evidência, a princípio. A tentativa é sempre de obliterar esse tipo de sensação e para isso, existem vários caminhos.

Um deles é a sedação contínua através das drogas lícitas ou ilícitas. Não suportar minimamente esse estado de falta, é um dos aspectos que está na base da dependência química em função de alterações fisiológicas no organismo e também dependência psíquica na maioria dos casos. Na obra “Delinqüência e Toxicomania”, o psiquiatra e psicanalista francês Charles Mellman coloca que a lógica da dependência química representa ao extremo o funcionamento da sociedade ocidental atual, onde há um “excesso” de toda a ordem e principalmente no sentido de ofertas dos mais diversos objetos que são oferecidos para suprir as sensações de faltas, tamponando inclusive a capacidade de desejar.SexVeg

Aliado a isso, temos também a forma peculiar das famílias lidarem com esses tipos de situações junto aos filhos, onde fica cada vez mais difícil privá-los de algo, posto que tudo é muito acessível e possível. A satisfação é quase contínua uma vez que o tempo de espera para alcançar os objetos é cada vez mais reduzido. O tiro pela culatra é que alguém maximamente satisfeito tem dificuldades ou até impossibilidade de descobrir seus desejos, uma vez que são eles que nos movem, nos impelem à luta, novas descobertas e realizações. Porém, será que podemos dizer que quem não vai à luta está satisfeito? Talvez ele esteja mais, ancorado no desejo dos outros. Deseja o que o outro deseja e dessa forma instala-se num estado perigoso de dependência. É como se estivesse sempre num compasso de espera.

Outra possibilidade é ter as mínimas condições de suportar a vivência da falta, que geralmente produz ansiedade, desconforto, frustração e sofrimento. Paradoxalmente, isso tudo é decorrente da não realização de algo, da suspensão do desejo, no sentido de suspense mesmo, por não saber o que vai acontecer. Esse processo doloroso pode ser a mola propulsora da produção do novo, do inusitado, da descoberta de novas paragens. Tomar atitudes, como se diz, ir à luta, trilhar novos caminhos, nem que seja “abrindo picadas” é assumir a própria condição humana de estarmos sempre em falta. Sim, sempre em falta, posto que não é um processo que tenha fim. Alcançamos novas realizações, nos satisfazemos momentaneamente com o alcance de algumas conquistas e novamente somos invadidos pela mesma sensação de vazio. O quê falta? Essa pergunta busca alguma resposta que comporte um nome, uma indicação de qual será o próximo caminho a ser trilhado nessa busca incessante, como errantes, andarilhos. Mas é diferente andar a esmo, sem rumo, perdido, do que buscar referências que norteiem esse novo andar. Esperar que alguém dê a mão pode significar tomar o caminho que esse outro escolheu e que não necessariamente serve para outra pessoa.

Ninguém se lança em novos investimentos, de qualquer ordem, se estiver tudo bem. É necessário um plus de “falta” para que haja desejo, pois somente dessa forma ele pode ser libertado.

Por: Návia T. Pattussi/Psicanalista/naviat@terra.com.br

Fonte: MARCOS A. BEDIN

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12 de agosto de 2011

Automedicação pode ser fatal

Segundo a ABIFARMA, cerca de 20 mil pessoas morrem por ano no Brasil em razão do uso excessivo de medicamentos. A maioria das pessoas tem consciência de que a automedicação não é aconselhável e pode trazer riscos de menor ou maior proporção. No entanto, é comum a ingestão de remédios sem orientação médica para os mais variados problemas de saúde. “Além de disfarçar alguns sintomas de uma doença mais grave, o que atrasa o diagnóstico e compromete o tratamento, o uso inadequado de medicamentos pode trazer consequências como uma reação alérgica leve ou um quadro grave de intoxicação”, alerta a farmacêutica da Unimed Chapecó,Tatiana S. Aléssio.

Segundo a Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas (ABIFARMA), cerca de 20 mil pessoas morrem por ano no Brasil em função do uso de medicação sem orientação médica. O último levantamento do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX) mostra que houve 7.117 casos de intoxicações por medicamentos em 2009 na região Sul, representando 26,82% das intoxicações no Brasil. Destas, 18 pessoas foram a óbito e 21 ficaram com sequelas.automedic

O consumo indiscriminado de antibióticos causa um dos problemas mais importantes atualmente na saúde pública, que é a resistência bacteriana. Com as bactérias cada vez mais resistentes e o próprio progresso da Farmacologia, há mais bactérias e mais antibióticos. Drogas antes muito eficientes contra determinadas bactérias deixam de fazer o efeito desejado. Então surgem novas famílias de antibióticos, mas o problema é que as bactérias também se “aperfeiçoam”, gerando um círculo vicioso.

Outra consequência do uso crônico de antibióticos sem necessidade está relacionada aos danos ao próprio organismo do paciente, o que pode causar problemas hepáticos, renais, entre outros. A ingestão de remédios por conta própria também pode resultar em uma interação medicamentosa. A farmacêutica explica que isso pode acontecer quando os medicamentos são administrados concomitantemente e podem interagir de três formas: um pode fortalecer a ação do outro, pode haver perda de efeitos por ações opostas ou a ação de um medicamento pode alterar a absorção, transformação no organismo ou a excreção de outro remédio. “A avaliação da ingestão se determinados fármacos podem alterar alguma função do organismo e causar reações adversas ou não deve ser feita somente por médicos ou farmacêuticos”, alerta Tatiana.

Tatiana destaca que o fato de determinadas substâncias (usadas indiscriminadamente) alterarem as condições fisiológicas do organismo de um indivíduo é, muitas vezes, ignorado. O uso indiscriminado de medicamentos à base de um analgésico-antitérmico como a dipirona, por exemplo, pode baixar os níveis das células de defesa encontrados no sangue, ocorrência chamada de agranulocitose. Sua duração é de pelo menos uma semana, pode ser severa e oferece risco de vida e pode ser fatal. Uma hemorragia cerebral pode ser causada devido à combinação de um anticoagulante com um simples analgésico. “A principal enfermidade que leva ao uso de medicamento sem orientação médica é a cefaleia e, por esta razão, o grupo farmacológico que prevalece são os analgésicos”, salienta Tatiana.

O artigo 2° da Resolução do Conselho Federal de Farmácia (CFF) n° 542/11 define que a dispensação de medicamentos antimicrobianos de venda sob prescrição somente poderá ser efetuada mediante a apresentação de receituário privativo do prescritor ou do estabelecimento de saúde, prescrito em duas vias. A segunda via deve ser retida no estabelecimento farmacêutico e a primeira devolvida, atestada pelo farmacêutico, como comprovante do atendimento.

Até então, os antibióticos eram vendidos sem restrição. A população utilizava principalmente para dor de garganta, dor de cabeça, dor muscular, febre, pressão alta/baixa, entre outros sintomas.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), as infecções causam 25% das mortes em todo o mundo e 45% nos países menos desenvolvidos. A metade dos consumidores compra o medicamento para um dia, 90% compram-no para período igual ou inferior a três dias. “O tratamento prescrito pelo médico não é seguido. Cabe ao farmacêutico orientar, educar e fornecer ao consumidor todas as informações sobre o medicamento, assegurando o uso adequado e ressaltando a importância de seguir o tratamento até o final”, explica a farmacêutica.

Medicamentos de venda livre são aqueles que podem ser adquiridos sem receita médica. Eles permitem que as pessoas aliviem muitos sintomas incômodos e curem algumas enfermidades de forma simples e sem as despesas de uma consulta médica. Porém, como esta ação pode ser considerada uma prática de automedicação, deve prevalecer o bom senso e a responsabilidade. “A veiculação constante de propagandas através da mídia eletrônica é, muitas vezes, um fator que contribui para a automedicação”, expõe Tatiana.

Os medicamentos de venda livre mais conhecidos são antigripais/descongestionantes nasais como Benegrip, Afrin, Coristina D, analgésicos/antitérmicos como a Aspirina, Tylenol, Novalgina, antialérgicos como Polaramine, Claritin, medicamentos para enjoo, como o Plasil e Dramin, entre outros.

A farmacêutica alerta que, para usar o medicamento de venda livre, é necessário orientações do farmacêutico – profissional qualificado para conscientizar o paciente sobre o uso correto de medicamentos para o alívio de males que afetam a saúde.

Hipocondríacos são os indivíduos mais susceptíveis a automedicação, pois preocupam-se em excesso com uma possível doença. Descobrem métodos alternativos para curar suas “doenças” e sentem-se melhor ao tomar uma série de medicamentos. Geralmente, esta prática leva ao vício em remédios. Automedicar outras pessoas também traz um problema sério para a população, pois o que cura um organismo, não necessariamente terá o mesmo êxito em outro.

MARCOS A. BEDIN

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8 de agosto de 2011

O Ballet e as lesões no tornozelo

Caracterizado como uma dança mundialmente conhecida, o ballet possui forma altamente técnica e um vocabulário próprio. Este gênero é difícil de dominar e requer muita prática. É um estilo equilibrado que incorpora as técnicas fundamentais para muitas outras formas de dança e exige horas de treinamento, envolvendo as articulações em posições excessivas. Por este motivo, é comum que os bailarinos sintam algum tipo de desconforto em alguma parte do corpo, o que pode resultar em lesões.

O médico ortopedista e traumatologista, Joaquim Reichmann, destaca que os calçados, o piso e a temperatura inadequados, bem como o encurtamento muscular, fraqueza muscular e dietas inadequadas são alguns dos elementos que podem contribuir para o aparecimento de lesões. “A combinação destes fatores poballetde levar ao aparecimento de diversas lesões, entre elas as ligamentares relacionadas com entorses de tornozelo e do pé”, exemplifica.

Segundo Reichmann, um dos fatores que justifica a grande incidência de lesões em membros inferiores está relacionado ao posicionamento da dança, que exige uma extensa movimentação dos pés, com posicionamentos extremos, o que gera sobrecarga.

Distensões podem ocorrer em qualquer ligamento do pé e tornozelo, porém, o mais comum envolve o complexo de ligamentos localizados lateralmente no tornozelo. Reichmann explica que a lesão ligamentar lateral acontece em flexão plantar em inversão, pois é a posição de máximo estresse do Ligamento Tíbio Fibular Anterior (LTFA) - o mais frágil dos ligamentos laterais. Com o pé na posição anatômica, o LTFA corre paralelo ao eixo do pé. Quando o pé encontra-se em flexão plantar sobre o solo, o LTFA, corre paralelamente ao eixo da perna, ficando desta forma, mais propício à lesão.

Os cotovelos e os joelhos também costumam sofrer lesões devido às constantes hiperextensões dos bailarinos. Outros problemas enfrentados por quem pratica ballet são as tendinites do músculo tríceps sural (tendão de Aquiles) e do tibial posterior, síndrome do túnel do tarso, fraturas por estresse da tíbia etc.

Reichmann reforça que, para prevenir lesões, é necessário que os bailarinos sejam orientados sobre questões anatômicas e fisiológicas. “Quando os praticantes de ballet são trabalhados tecnicamente de forma adequada, apresentarão alto rendimento e menor probabilidade de lesões”.

Fonte: MARCOS A. BEDIN

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