23 de dezembro de 2010

Violência: Pobres e negros são as principais vítimas

As ações de combate à violência promovidas pelo Governo Federal revelaram facetas obscuras da sociedade brasileira. O número de assassinatos de jovens brancos teve uma redução de 31,6% nos últimos cinco anos, enquanto as mortes de jovens negros e pobres cresceram 5,3%.

"Brancos foram os principais beneficiados pelas ações realizadas de combate à violência. Temos uma grave anomalia que precisa ser reparada", diz o psicólogo social Julio Jacobo. Os dados revelam grande oscilação em escala descendente do Nordeste para o Sul do país. Em Pernambuco morrem 826,4% mais negros do que brancos. No Rio de Janeiro esse percentual maior de mortes de pessoas negras é de 138,7%, em São Paulo ele cai para 47% e o Paraná, na região Sul, é o único Estado onde morrem 36,8% mais brancos do que negros.


Nos assassinatos ocorridos no país, a maioria absoluta deu-se na população masculina: 92,1% dos homicídios foram praticados contra homens e 93,9% na população jovem. Os dados revelam ainda que 2,5 milhões de pessoas com 10 anos ou mais de idade - 1,6% da população brasileira - foram vítimas de agressão física. As vítimas são homens (56,4%) entre 16 e 14 anos, faixa de idade na qual 2,2% dessa população já sofreram agressão; 2% das pessoas entre 25 e 34 anos também passaram por essa situação.vilolencianao


As agressões estão invariavelmente ligadas à cor da pele. Dos 6,9% de negros da população brasileira, 14% disseram ter sido vítimas de violência. Dos pardos, que representam 44,16% da população, 12,1% já foram vitimizados. No caso dos brancos, apenas 11,9% passaram por essa situação, mesmo representando 48,22% da população.


Jurema Werneck, coordenadora da organização não governamental (ONG) Criola, diz que "isso não é uma coincidência. É racismo". Segundo ela, "esses jovens estão em situação de vulnerabilidade porque suas mães, seus pais e os outros negros estão ali. Porque as condições de direito e cidadania nunca foram estendidas até eles", denunciou.


A tendência de traço racista da condição de vulnerabilidade dos jovens negros é confirmada também no índice de rendimento per capita dos domicílios. O percentual de pessoas agredidas cresce em direção oposta à renda. Dos agredidos, 2,2% recebem um quarto de salário mínimo, a menor classe de renda, enquanto nas classes com rendimentos superiores de salário o índice é de 1%.


As regiões Norte e Nordeste registram o maior percentual de vítimas, 1,9% e 1,8%, respectivamente, acima da média nacional. Nas cidades dessas regiões a proporção de homens vítimas de violência foi de 2,4% e de 2,2%. Por outro lado, nas regiões Sul e Sudeste, onde 1,4% das pessoas sofre agressões, o percentual de homens vitimizados fica entre 1,8% e 1,5% da população.


Do lado dos que perpetram a violência, segundo a pesquisa do IBGE, realizada entre setembro de 2008 e setembro de 2009, a maioria dos agressores (39% dos casos) não é conhecida das vítimas. Um percentual pouco menor dos algozes (36,2%) é conhecido. Em 12,2% dos casos, são os cônjuges, seguidos dos parentes (8,1%), policiais ou seguranças particulares (4,5%). Uma a cada quatro mulheres foi agredida por cônjuges ou ex-cônjuges (25,9%), enquanto o percentual de homens vítimas de esposas ou ex-esposas é de 2%.

Fonte:ALC

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