22 de outubro de 2012

Falta de dentes pode ter relação com mal de Alzheimer?

O primeiro impulso na hora de responder essa pergunta pode ser de negação: Claro que não! Imagina. O que os dentes têm a ver com doença da memória? No entanto, a resposta correta pode surpreender. A especialista em implantes e próteses dentárias, Iara Giovana Gallon, da Clínica Arte & Face de Chapecó chama a atenção para a importância de ter todos os dentes na boca já que eles têm as funções de manter a dimensão vertical, a estética da face e do sorriso, de fazer o bolo alimentar e da manutenção do espaço aéreo. “A falta de dentes pode ter várias repercussões na saúde geral do paciente, como alteração postural, dores de cabeça e de estômago, entre outras”, afirma.

Com base em pesquisas desenvolvidas na Universidade de Umeaa, no norte da Suécia, pelo dentista e professor Jan Bergdahl, Iara aponta que um estudo observou quase duas mil pessoas com idades entre 35 e 90 anos desde 1988, comparando a memória daqueles que tinham todos os dentes e a dos que haviam extraído e passaram a usar dentaduras. “O resultado mostrou que quem não tinha todos os dentes, tinha a memória afetada. É comprovado que quem faz implantes melhora a circulação sanguínea e, consequentemente, preserva a memória”, afirma a especialista.

De acordo com Iara, os avanços tecnológicos e científicos permitem perceber que a qualidade da mastigação está diretamente ligada ao desenvolvimento neurológico. “Muito melhor se a mastigação for feita da forma correta, contando com a arcada dentária completa”, observa.

Iara também cita que testes desenvolvidos com animais demonstram que a extração de dentes rompe nervos conectados ao cérebro. A especialista argumenta que tanto nos animais de laboratório quanto no homem com ausência de dentes, observa-se a presença de placas de proteína Beta, formadas no sistema nervoso central, indicadoras do Mal de Alzheimer. “Tais placas degeneram os neurônios como se fosse uma hemorragia. Daí a relação com o sistema neurológico. A importância de cuidar bem dos dentes e da mastigação correta vai além da estéticsem dentea e da saúde fisiológica, alcançando a mente da pessoa”, orienta Iara.

Iara também cita um novo estudo feito por pesquisadores na Faculdade de Odontologia da Universidade de Nova Iorque (NYU), confirmando que a doença gengival pode, realmente, aumentar o risco de desenvolver a doença de Alzheimer. Trata-se de outra evidência, a longo prazo, de que a doença gengival pode aumentar o risco de disfunção cognitiva associada com a doença de Alzheimer em indivíduos saudáveis e também naqueles que já estão cognitivamente comprometidos.

O estudo foi liderado pela doutora Ângela Kamer, da NYU, que colaborou com uma equipe de pesquisadores da Dinamarca, e expande um estudo de 2008 feito por ela que “mostrou que pessoas com doença de Alzheimer apresentam nível significativamente mais alto de anticorpos e moléculas inflamatórias associadas com a doença periodontal no plasma em comparação com pessoas saudáveis”.

No novo estudo, pesquisadores analisaram dados sobre a inflamação periodontal e função cognitiva em 152 homens e mulheres dinamarqueses que faziam parte do Estudo de Envelhecimento de Glostrup, reunindo dados médicos, psicológicos e de saúde bucal, no período de 1964-84. A equipe comparou a função cognitiva dos indivíduos com idades entre 50 e 70 anos, usando o Digit Symbol Test, DST, uma parte da medição padrão do QI adulto que avalia a rapidez com que indivíduos podem ligar uma série de dígitos, como 2, 3, 4 a uma lista correspondente de pares de dígitos-símbolos.

Os pesquisadores observaram que a inflamação periodontal aos 70 anos estava fortemente associada a pontuações mais baixas no DST e que os indivíduos com inflamação periodontal eram nove vezes mais propensos a obter pontuações mais baixas no teste, comparados com aqueles com pouca ou nenhuma inflamação periodontal.

Em resumo, realça Iara Gallon, a pesquisa sugere que indivíduos cognitivamente normais com inflamação periodontal apresentam risco aumentado de função cognitiva menor em comparação com os indivíduos cognitivamente normais com pouca ou nenhuma inflamação.

Fonte: MARCOS A. BEDIN

MB Comunicação Empresarial/Organizacional

mb@mbcomunicacao.com.br

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