18 de agosto de 2013

Estudo mostra que café pode prevenir doenças

Um estudo feito por pesquisadores da Unidade de Pesquisa Café e Coração, do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), mostrou que os consumidores regulares de café têm melhor atividade antioxidante no organismo e melhor desempenho em exercícios físicos. Além disso, o produto pode prevenir doenças.

Nos testes de esteira, os consumidores de café tiveram melhor performance atlética e maior tempo de exercício. O resultado foi verificado também nos pacientes coronariopatas, que não apresentaram nenhum evento cardíaco adverso, como angina ou arritmias.

Segundo o diretor da Unidade Clínica de Coronariopatia Crônica do InCor, Luiz Antonio Machado César, o estudo analisou 150 consumidores de café nos últimos cinco anos e continua a ser feito em outras frentes. Foi avaliado o consumo tanto por pessoas saudáveis como em portadoras de doenças cardíacas.

O médico disse que os voluntários passaram três semanas diminuindo o consumo de café ou de outras bebidas com cafeína, até ficarem uma semana sem tomar nada. “Nesse momento, fizemos vários exames, monitoramos a pressão arterial, fizemos eletrocardiograma durante 24 horas e finalizamos com um teste na esteira”.

Depois disso, os voluntários receberam uma cafeteira, filtros e foram orientados sobre como fazer o café que beberiam durante quatro semanas - 450 mililitros por dia, cerca de sete xícaras e meia. O tipo de café a ser tomado, com uma torra mais clara ou mais escura, era sorteado.café

“Assim, fomos alternando o tipo de café a cada quatro semanas do teste e a cada mês repetíamos todos os exames, comparando que aconteceu com relação às torras que todos tomaram. O que pudemos observar é que não houve nenhum impacto com relação à arritmia, na variação dos exames de sangue”.

Machado explicou que a pesquisa foi feita devido à controvérsia que existe sobre o café fazer bem ou mal e sobre a cafeína ser uma vilã da saúde, apesar de o café não ser só cafeína e sim ser composto por mais de 400 substâncias diferentes. “Há vários estudos mais recentes no mundo que mostram que o café não tem impacto em doentes cardiovasculares. Há outros estudos mostrando que o café está dentro da qualificação dos antioxidantes, prevenindo doenças ou reduzindo seus efeitos”.

O médico ressaltou que não há problemas em tomar de três a quatro xícaras de café ao longo do dia, mas que não é recomendável beber o líquido em excesso de uma vez, só devido à cafeína. “Ao beber muito café, de uma vez, só o indivíduo ingerirá muita cafeína de uma vez só e isso é maléfico, mas o café como o brasileiro está acostumado não faz mal nenhum”.

Os estudos são feitos na Unidade de Pesquisa Café e Coração, do InCor, com a colaboração da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Associação Brasileira das Indústrias de Café (Abic). Os testes também deverão ser feitos com café do tipo expresso e com café descafeinado.

Fonte: Agência Brasil

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12 de agosto de 2013

Osteopatia pediátrica é aplicada no tratamento de cólicas e refluxo

O refluxo e a cólica, comuns em bebês, podem ser controlados com a osteopatia pediátrica. A técnica contribui para qualidade de vida dos recém-nascidos e, consequentemente, para a tranquilidade dos pais, que costumam sofrer por não encontrarem alívio aos sintomas de seus filhos.

O fisioterapeuta da Ortopedia Reichmann, Edson Bramati, especialista em osteopatia, realiza técnicas diversas para o tratamento dessas patologias. Ele explica que, no período da gestação e no momento do parto, a cabeça do bebê pode ser submetida a forças que poderão alterar delicadamente o posicionamento dos ossos que compõe a calota craniana. “Quando é necessário o recurso do fórceps ou ventosa, são exercidas forças extras sobre o corpo do bebê, o que justifica muitos dos problemas em recém-nascidos”. osteopatia

A base do crânio da criança (região acima da primeira vértebra cervical) está submetida a grandes forças de compressão pelas contrações no momento do parto e também em função da passagem pelo canal vaginal, ou ainda pelo modo como a cabeça ficou posicionada no final da gestação. “Nesse local, estão situadas as estruturas responsáveis pela inervação do palato, cordas vocais, da faringe, base da língua, ritmo cardíaco, função respiratória e boa parte do aparelho digestivo”, realça Bramati. 

A abordagem terapêutica ocorre através de técnicas manipulativas suaves que buscam equilibrar as tensões que afetam esse equilíbrio. A assimetria craniana funcional, conhecida como plagiocefalia posicional, também acontece devido às forças compressivas assimétricas as quais a cabeça do bebê está submetida e também responde bem ao tratamento de osteopatia, principalmente quando a criança é tratada nos primeiros meses de vida.

Na Europa essa técnica é bem difundida entre a população e a própria comunidade médica e, é aplicada aos recém-nascidos, como tratamento e prevenção de diversas condições comuns como: cólicas e constipação, refluxo gastro-esofágico (RGE), torcicolo congênito, otites de repetição, dificuldade de sucção e deglutição, assimetrias cranianas, alterações do sono, entre outras.

Fonte: MARCOS A. BEDIN

MB Comunicação Empresarial/Organizacional

mb@mbcomunicacao.com.br

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5 de agosto de 2013

Nenhum partido me representa

A sociedade brasileira não está acostumada ao conflito, situação já incorporada em outras nações latino-americanas, como no México, na Argentina e no Uruguai, destacou o cientista político Carlos Gadea, professor na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) no debate promovido pela instituição, na quinta-feira, 30 de julho, focado nos movimentos que foram às ruas em junho.

"A sociedade brasileira ainda é pouco república e muito imperial, hierárquica", comparou Gadea. O Brasil, prosseguiu, é um dos países lideres no número de assassinato de jovens negros, mas se irrita quando um jovem quebra um vidro numa manifestação.

O "outono brasileiro" motivou fatos surpreendentes, polifônicos, que permite vários e diferentes olhares sobre o fenômeno. "As mobilizações de rua são uma contestação à imobilidade de governos, mas também ao mercado de trabalho, de jovens que estão em busca de ascensão social", disse o professor Aloisio Ruscheinsky da Pós-Graduação de Ciências Sociais. O mercado de trabalho, agregou, não é tão gentil quanto possa parecer.

Recorrendo à ilustração de uma "pizza", Ruscheinsky mostrou que 43,8% de tudo que é arrecadado em taxas e impostos são destinados ao pagamento de juros e amortização da dívida pública brasileira. "Os 44% vão para menos de 100 brasileiros e estrangeiros que investem no capital especulativo", apontou, frisando que esse quadro permanece inalterado nas duas últimas décadas e explica em parte as manifestações do outono brasileiro.nenhum_partido_me_representa

"Temos que abandonar as explicações materialistas e procurar as demandas dos jovens que surgem do mundo simbólico, não por arroz e feijão, mas pelo tênis Nike", destacou Gadea. O ator social das manifestações de rua são jovens de famílias de classe C, em ascensão, que querem entrar na órbita do consumo simbólico, avaliou.

É difícil identificar uma bandeira única, pois os movimentos são polissêmicos, multitemáticos, não se consegue perceber uma identidade nas manifestações, analisou o professor Gustavo Paim, do curso de Direito da Unisinos.

Paim apontou contradições ocorridas nas ruas: em Porto Alegre, uma das bandeiras dos manifestantes foi contra a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 37, que restringia o poder do Ministério Público nas investigações criminais. No entanto, manifestantes quebraram  vidraças do prédio do Ministério Público. Pediram maior segurança, entretanto atearam fogo em carro da Brigada Militar. Reivindicaram melhor transporte público, mas queimaram ônibus.

O professor de Direito alertou, contudo, que é preciso enaltecer o movimento democrático das ruas brasileiras, que é uma posição contra o status quo, não é contra os governos federal, estaduais, municipais especificamente, mas ele questiona a democracia participativa. No Rio de Janeiro, o governador Eduardo Campos foi eleito em primeiro turno com 70% dos votos e hoje é um dos políticos mais alvejados pelo movimento das ruas.

Ainda assim, a demonização que se faz dos políticos e dos partidos "não serve para a nossa democracia, não ajuda a democracia", frisou Paim.  O professor Pedro Osório, da Comunicação Social, concordou com o colega do Direito. "Se não fizermos política, não vamos chegar a bom termo na sociedade", afirmou Osório, embora reconhecesse a crise da representação e o esgotamento do projeto do Estado nacional brasileiro. Pesquisa realizada com manifestantes paulistanos dos dias 20 a 22 de junho mostrou que 89% deles não se sentiam representados por qualquer partido político.

Os partidos são incapazes de defender seus projetos políticos e não chegam, com uma ação pedagógica, até os jovens e suas inquietações, observou o professor da Comunicação Social. Ele também teceu críticas ao papel da mídia. "Ela não promove o debate, traz muitas vezes opiniões duvidosas e está ausente na mediação de ideias plurais".

Pedro Osório não se furtou de fazer uma auto avaliação do papel do professor. "Até que ponto somos representativos para os nossos alunos?" - indagou. "Estamos no lugar que pode gerar respostas, pois elas não virão dos partidos nem do Estado. Cabe à universidade apontar caminhos e sugerir o que pode ser feito nesse momento extraordinário que estamos vivendo", destacou.

Fonte: ALC

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