24 de outubro de 2012

Portal da Biblioteca Digital do Patrimônio Ibero-Americano

Num exemplo de cooperação internacional, foi apresentada na última terça-feira, 19, a versão beta do portal da Biblioteca Digital do Patrimônio Ibero-Americano (BDPI), que reúne 136 mil itens. O projeto da Associação de Bibliotecas Nacionais da Ibero-América (Abinia)  integra os acervos das Bibliotecas Nacionais do Brasil, Chile, Colômbia, Panamá e Espanha, e permite a consulta aos acervos das mesmas através de ferramentas de buscas específicas.

Com a iniciativa, a Abinia pretende incentivar as bibliotecas associadas a promoverem a digitalização de suas coleções, aBDPI automação e padronização de seus catálogos, adaptando-os aos padrões internacionais. O portal ainda é uma versão beta (experimental) porque a Abinia espera incorporar nos próximos meses o maior número de bibliotecas nacionais da região.

O portal da BDPI apresenta seleção de documentos, livros, mapas, imagens, testemunhos das grandes viagens e explorações, mais de 15 mil gravações de som, cerca de 8,6 mil partituras, obras, monografias e periódicos sobre literatura, escritores e estudos literários. A Biblioteca Nacional da Espanha contribui com 87,5 mil registros, a do Chile com 21,5 mil registros, a do Brasil, que tem sede no Rio de Janeiro, com 19,5 mil registros, a da Colômbia com 7,1 mil registros e a do Panamá com 925 registros.

A BDPI pode ser acessada através do link http://www.iberoamericadigital.net/gdl/

Fonte: ALC

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22 de outubro de 2012

Falta de dentes pode ter relação com mal de Alzheimer?

O primeiro impulso na hora de responder essa pergunta pode ser de negação: Claro que não! Imagina. O que os dentes têm a ver com doença da memória? No entanto, a resposta correta pode surpreender. A especialista em implantes e próteses dentárias, Iara Giovana Gallon, da Clínica Arte & Face de Chapecó chama a atenção para a importância de ter todos os dentes na boca já que eles têm as funções de manter a dimensão vertical, a estética da face e do sorriso, de fazer o bolo alimentar e da manutenção do espaço aéreo. “A falta de dentes pode ter várias repercussões na saúde geral do paciente, como alteração postural, dores de cabeça e de estômago, entre outras”, afirma.

Com base em pesquisas desenvolvidas na Universidade de Umeaa, no norte da Suécia, pelo dentista e professor Jan Bergdahl, Iara aponta que um estudo observou quase duas mil pessoas com idades entre 35 e 90 anos desde 1988, comparando a memória daqueles que tinham todos os dentes e a dos que haviam extraído e passaram a usar dentaduras. “O resultado mostrou que quem não tinha todos os dentes, tinha a memória afetada. É comprovado que quem faz implantes melhora a circulação sanguínea e, consequentemente, preserva a memória”, afirma a especialista.

De acordo com Iara, os avanços tecnológicos e científicos permitem perceber que a qualidade da mastigação está diretamente ligada ao desenvolvimento neurológico. “Muito melhor se a mastigação for feita da forma correta, contando com a arcada dentária completa”, observa.

Iara também cita que testes desenvolvidos com animais demonstram que a extração de dentes rompe nervos conectados ao cérebro. A especialista argumenta que tanto nos animais de laboratório quanto no homem com ausência de dentes, observa-se a presença de placas de proteína Beta, formadas no sistema nervoso central, indicadoras do Mal de Alzheimer. “Tais placas degeneram os neurônios como se fosse uma hemorragia. Daí a relação com o sistema neurológico. A importância de cuidar bem dos dentes e da mastigação correta vai além da estéticsem dentea e da saúde fisiológica, alcançando a mente da pessoa”, orienta Iara.

Iara também cita um novo estudo feito por pesquisadores na Faculdade de Odontologia da Universidade de Nova Iorque (NYU), confirmando que a doença gengival pode, realmente, aumentar o risco de desenvolver a doença de Alzheimer. Trata-se de outra evidência, a longo prazo, de que a doença gengival pode aumentar o risco de disfunção cognitiva associada com a doença de Alzheimer em indivíduos saudáveis e também naqueles que já estão cognitivamente comprometidos.

O estudo foi liderado pela doutora Ângela Kamer, da NYU, que colaborou com uma equipe de pesquisadores da Dinamarca, e expande um estudo de 2008 feito por ela que “mostrou que pessoas com doença de Alzheimer apresentam nível significativamente mais alto de anticorpos e moléculas inflamatórias associadas com a doença periodontal no plasma em comparação com pessoas saudáveis”.

No novo estudo, pesquisadores analisaram dados sobre a inflamação periodontal e função cognitiva em 152 homens e mulheres dinamarqueses que faziam parte do Estudo de Envelhecimento de Glostrup, reunindo dados médicos, psicológicos e de saúde bucal, no período de 1964-84. A equipe comparou a função cognitiva dos indivíduos com idades entre 50 e 70 anos, usando o Digit Symbol Test, DST, uma parte da medição padrão do QI adulto que avalia a rapidez com que indivíduos podem ligar uma série de dígitos, como 2, 3, 4 a uma lista correspondente de pares de dígitos-símbolos.

Os pesquisadores observaram que a inflamação periodontal aos 70 anos estava fortemente associada a pontuações mais baixas no DST e que os indivíduos com inflamação periodontal eram nove vezes mais propensos a obter pontuações mais baixas no teste, comparados com aqueles com pouca ou nenhuma inflamação periodontal.

Em resumo, realça Iara Gallon, a pesquisa sugere que indivíduos cognitivamente normais com inflamação periodontal apresentam risco aumentado de função cognitiva menor em comparação com os indivíduos cognitivamente normais com pouca ou nenhuma inflamação.

Fonte: MARCOS A. BEDIN

MB Comunicação Empresarial/Organizacional

mb@mbcomunicacao.com.br

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20 de outubro de 2012

Atiraram no homem para matar a fábrica

Belo de Farias, um negociante de animais no sertão do Ceará, casado, pai de cinco filhos, não resiste aos encantos de uma adolescente de 14 anos, Leonilda Flora da Cruz Gouveia. Três anos depois, no dia 5 de junho de 1863, em Ipu, Ceará, Delmiro Augusto da Cruz Gouveia vem ao mundo. Aos quinze anos, logo depois da morte da mãe, Delmiro vai ganhar a vida como bilheteiro e condutor de bondes, no Recife. Em 1881, entra para o comércio de peles. Seu tino e sua inteligência começavam a lhe abrir as portas da fortuna. Dois anos anos depois, no dia 28 de agosto de 1883, casa-se com dona Iaiá, filha de seu amigo, o tabelião Antônio Severiano de Melo Falcão.

Em 1892, por sua amizade com John Sanford, americano que comerciava com peles, é convidado para ocupar a gerência do curtume Keen Sutterly & Co., com sede na Filadélfia. Mais tarde, quando volta de sua segunda viagem aos Estados Unidos, compra as instalações e escritórios da Sutterly. Em 1898, associa-se ao diretor geral do Banco de Pernambuco, Antônio Carlos Ferreira da Silva, e à firma Rossbach Brothers, e passa a ter o monopólio das exportações de couro no Nordeste.

Resolve, então, construir um mercado. Compra os terrenos do antigo Derby Club e, a 7 de setembro de 1899, inaugura uma firma precursora dos supermercados. Dotado de luz elétrica, sistema de esgotos, chafarizes com água em abundância, e até de um parque de diversões, o Mercado Modelo vende os mais variados gêneros, de alimentos a roupas. A região em torno do mercado começa a se desenvolver. Delmiro consegue eliminar os intermediários no processo de comercialização, comprando direto dos pequenos fazendeiros. O povo do Recife jamais conhecera preços tão baixos.Delmiro

Mas o prestígio do coronel Delmiro representa uma ameaça para os interesses políticos dos grandes proprietários rurais. Rosa e Silva, vice-presidente da república, organiza, então, uma ofensiva de boicote ao Mercado Modelo. Por ordem do prefeito Esmeraldino Bandeira, as mercadorias são apreendidas. Desesperado com a situação, Delmiro viaja ao Rio de Janeiro para resolver o problema diretamente com Rosa e Silva. Mas não chegam a um acordo, e Delmiro acaba agredindo a bengaladas o vice-presidente em plena rua do Ouvidor. A resposta não tarda e na noite de 2 de janeiro de a900, o mercado é incendiado.

Delmiro retoma o comércio de peles e em 1910 já tem capital para realizar um novo sonho: explorar o vale do São Francisco, industrializar a energia hidrelétrica de Paulo Afonso, e instalar, na região, um centro agrícola e industrial. Compra todas as terras secas devolutas da região de Água Branca. Além disso, consegue isenção de impostos para uma fábrica de fios e linhas e a concessão para captar energia elétrica da cachoeira de Paulo Afonso. Importa equipamentos da Suíça, Alemanha e Inglaterra e no dia 1° de julho de 1912, inaugura a Companhia Agro Fabril Mercantil. No dia 5 de junho de 1914, com técnicos europeus, mil operários só nas instalações fabris e milhares nos campos de algodão, tem início aprodução em massa dos fios e linhas.

Em pouco tempo, Delmiro começa a exportar linhas para o Perú e Chile. Mas Delmiro era também um reformador. Manda construir a Vila Operária da Pedra, a primeira de que se tem notícia no Nordeste. Um modelo para a época: 256 casas de alvenaria, alinhadas em ruas regulares, iluminação elétrica e água encanada. Em 1916, já funcionavam na Vila, quatro escolas, serviço médico e uma Caixa de Previdência Operária. E, antes mesmo que a legislação brasileira pensasse: regime de oito horas de trabalho, descanso semanal aos domingos e 13° salário.

Mas a fama de Delmiro mais uma vez desagrada a muita gente. A poderosa firma inglesa, Machine Cottons, por exemplo, que antes controlava sozinha o mercado de linhas e fios no Brasil. E também aos coronéis José Rodrigues de Lima, de Piranhas, e José Gomes de Sá, de Jatobá. Recomeça, então, mais uma campanha contra Delmiro, e, no dia 10 de outubro de 1917, às 20 horas e 30 minutos, Delmiro estava sentado no alpendre de seu pequeno chalé perto da Fábrica da Pedra. Lia os jornais, tranquilamente, quando, de repente, o silêncio é rompido por três estampidos. Delmiro Gouveia estava morto.

Fonte: Nosso Século, Abril Cultural, 1981.

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