Percival Farquhar nasceu em 1864, em York, na Pensilvânia. Filho de pai milionário estudou engenharia em Yale. Mais tarde, graças ao seu prestígio nas altas rodas de Wall Street, torna-se vice-presidente da Atlantic Coast Electric Railway Co. e da Staten Island Electric Railway Co., que controlavam o serviço de bondes em Nova York.
No início do século XX, já é diretor da Companhia de Eletricidade de Cuba e vice-presidente da Guatemala Railway. Resolve, então, lançar-se à concretização de seu grande sonho: controlar todo o sistema ferroviário latino-americano.
Assim em 1904, sem nunca ter vindo ao Brasil, compra a Rio de Janeiro Light & Power Co. e as concessões da Société Anonyme du Gaz. Em 1905, adquire na Alemanha uma pequena, a Brasilianische Elektrizitätsgesellschaft, que dá origem à Companhia Telefônica Brasileira.
Neste mesmo ano de 1904, organiza em Portland, no Maine, a Bahia Tramway, Light & Power Co. e adquire a concessão das obras do porto de Belém. Em 1906, adquire a Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande. Em 1907, constitui a Madeira-Mamoré Railway Co., com um capital de 11 milhões de dólares, que é dividido entre duas outras empresas suas: a Brazil Railway Co. e a Port of Pará.
Em 1908, compra 27% das ações da Mogiana (SP) e 38% das ações da Paulista, passando a controlar as duas ferrovias. Em 1909, forma a Companhia de Navegação do Amazonas, encomendando a estaleiros holandeses 26 embarcações de grande tonelagem. Cria, ainda, a Amazon Development Co. e a Amazon Land & Colonization Co. Em 1911, recebe do governo brasileiro, como doação, 60.000 quilômetros quadrados de terras, que hoje constituem o estado do Amapá.
Em 1912, Farquhar já controla o sistema de transportes da Amazônia e do centro-sul do Brasil. Mas, em 1913, joga seus títulos nas Bolsas e perde tudo. Arruinado, transforma-se num diretor assalariado de suas ex-empresas, ganhando 25.000 dólares anuais.
Fonte de Pesquisa; Nosso Século. Abril Cultural, 1981.