7 de fevereiro de 2009

Uma questão de vida ou morte ?

Normas ambientais em excesso, incoerentes e irreais estão inviabilizando a agricultura, a pecuária e o agronegócio no país. A aplicação da Lei ambiental da forma que está colocará na ilegalidade 40% dos produtores de suínos e aves, e 60% dos produtores de leite de Santa Catarina. Em razão disso, os setores produtivos estão articulados para a aprovação do projeto do governo estadual que tramita na Assembléia Legislativa e institui o Código Ambiental catarinense.

A Organização das Cooperativas do Estado de SC(Ocesc), a Federação da Agricultura e Pecuária (Faesc), a Federação das Cooperativas Agropecuárias (Fecoagro), a Federação dos Trabalhadores (Fetaesc) e outras instituições credenciaram o cooperativista Décio Sonaglio – presidente da Coperio de Joaçaba – a promover uma ampla articulação interinstitucional para a aprovação do Código Ambiental, leia a entrevista e veja se você concorda:

Procede a afirmação segundo a qual, se for rigorosamente aplicada a legislação federal, a agricultura e a pecuária serão BANIDAS do território catarinense?

Décio Sonaglio – Pesquisas já feitas pelo setor agropecuário apontam que a aplicação da Lei ambiental da forma que está colocará na ilegalidade 40% dos produtores de suínos e aves, e 60% dos produtores de leite do estado.Estes segmentos, aliás, são as três mais importantes cadeias produtivas e a base do agronegócio catarinense, responsáveis pela renda de mais de 30% das propriedades rurais do estado e a sustentação de um dos melhores modelos de organização de cadeia produtiva de agronegócio baseado na pequena propriedade familiar rural. É importante salientar também que, cumprindo-se o rigor da atual Lei, mais de 30.000 pequenas propriedades familiares rurais estarão inviabilizadas e transformar-se-ão em taperas e, é sabido qual será o futuro destas famílias. Começará pela desilusão, perda da auto-estima, do meio de sobrevivência e possivelmente, passarão a ser pobres dependentes do governo.

Que prejuízo traz para Santa Catarina essa legislação federal que perde eficácia ao tratar o Amazonas e Santa Catarina, o Acre e o Rio de Janeiro com os mesmos critérios e parâmetros?

Sonaglio – Santa Catarina é um estado diferenciado de todo país, cuja estrutura fundiária é formada por propriedades familiares rurais. É impossível fazer justiça aplicando uma Lei que vale tanto para Amazônia Legal como para o Cerrado, com características tão diferentes das nossas. Caso não sejam alterados os atuais critérios, parâmetros e conceitos sobre sustentabilidade ambiental, estaremos determinando para o nosso estado um futuro de desaquecimento do agronegócio como um todo, com conseqüências desastrosas como queda da produção, do movimento econômico na grande maioria dos municípios, migração de empresas e indústrias importantes para outras regiões do país que oferecem condições ambientais mais favoráveis. A economia de Santa Catarina poderá entrar num processo de desestruturação provocando a falência de um dos melhores modelos de agronegócio do país.

Podemos afirmar com toda a segurança que a agricultura de SC é ambientalmente sustentável?

Sonaglio – Há muitos anos os produtores estão corrigindo os equívocos ambientais cometidos no passado, investindo em novas tecnologias não poluentes, não degradadoras, recuperadoras de solo e ainda na recomposição de cobertura vegetal de grande parte de suas propriedades. Esta revisão do Código Ambiental será o instrumento que está faltando para que em breve tenhamos efetivamente uma agricultura ambientalmente correta e sustentável.

Por que os ambientalistas estão atacando com tanta agressividade o modelo de exploração econômica do setor primário e, inclusive, as agroindústrias?

Sonaglio – Há nesse aspecto um forte cunho ideológico e não necessariamente ambientalista. Questiona-se, por exemplo, a existência de ONGs com interesses internacionais escusos que falsamente pregam a preservação ambiental, mas, não prestam contas para a sociedade de suas ações muito menos dos recursos que manipulam. Nós entendemos que esse ataque à reformulação do Código é um “tiro no pé”, pois são muito limitadas as oportunidades de produção sem agroindústria empresarial forte para disputar o mercado. Para que se mantenham, os pequenos produtores rurais precisam também de conhecimento, tecnologia, profissionalização, recursos e segurança de mercado. É possível imaginar como ficaria a situação dos produtores rurais de Santa Catarina sem as agroindústrias existentes, principalmente sem as cooperativas? Certamente isso provocaria uma desestruturação muito forte, sucateando um modelo de produção histórico e de sucesso.

Sabemos que, no passado, os produtores rurais tinham algumas práticas condenáveis, como construir criatórios sobre riachos e desmatar áreas virgens. Entretanto, nas últimas décadas, por força da extensão rural das cooperativas, das agroindústrias e do governo, mas também de legislação punitiva, construiu-se uma consciência preservacionista. Diz-se que, atualmente, os crimes ambientais gerados pela exploração agropecuária foram reduzidos quase à zero. Essa avaliação é realista?

Sonaglio – É preciso que a sociedade em geral saiba que ninguém mais do que os pequenos produtores rurais de Santa Catarina corrigiram os equívocos do passado e recuperaram ambientalmente as suas propriedades. Há mais de 30 anos, quando se plantava na base do arado de bois, o plantio era feito com plantadeira manual, tipo “saraquá", os nossos agricultores devastaram realmente as matas até os topos de morro e nas topografias altamente acidentadas, baseados num modelo de produção agrícola não tecnificado. Mas, ao longo dos últimos anos, as ações desenvolvidas no campo por parte do governo através da pesquisa e extensão rural e programas específicos como, por exemplo, o Microbacias, com apoio das cooperativas e agroindústrias, transformaram o nosso meio rural. Hoje, grande parte da mata original derrubada há mais de cinqüenta anos (40% segundo dados da Fatma) está com cobertura vegetal natural em fase de recomposição, e nas poucas áreas favoráveis o plantio é feito com tecnologias preservacionistas de solo. Na suinocultura, principalmente, é notório o investimento feito em tratamento de dejetos para evitar poluição. Essa realidade muitos ambientalistas não conhecem.

Por que SC precisa de um Código Ambiental estadual?

Sonaglio – Para estabelecer por Lei um conjunto de princípios, critérios, conceitos e regras que traduzam uma política de gestão ambiental com uma visão moderna de desenvolvimento, inclusão social, renda e principalmente justiça para com o homem do campo.

A flexibilização da legislação pode colocar em risco as riquezas naturais de Santa Catarina?

Sonaglio – Não, porque os produtores já estão fazendo sua parte em relação à preservação do meio ambiente. Além disso, a revisão do Código trará medidas ainda mais incisivas relacionadas à implantação de tecnologias não poluentes. O que o setor produtivo busca é implantar uma nova Lei que esteja adequada à realidade minifundiária do produtor rural catarinense. Por exemplo, uma distância de 30 metros entre uma instalação (pocilga, aviário ou tambo de leite), dos córregos de água, pode ser adequada a uma grande propriedade do Cerrado brasileiro, mas, inviável e injusto para uma pequena propriedade, característica em SC. São conceitos equivocados como este que estamos procurando corrigir com a revisão do Código.

Por que há ambientalista atacando tão furiosamente essa proposta de Código Ambiental estadual?

Sonaglio – Possivelmente porque não analisou com a devida atenção o lado proativo desta possível mudança. Muitos ambientalistas não têm consciência dos prejuízos e penalizações injustas que a atual Lei esta ocasionando junto aos produtores. São cegos (porque não querem ver), surdos (porque não ouvem as razões do campo) e pensam em praticar as suas utopias ambientais à custa do patrimônio e a base de sobrevivência proprietários rurais. Muitos ganham a vida de emprego e salários públicos e não dependem de uma pequena propriedade rural para sobreviver.

De forma oportunista, alguns ambientalistas relacionaram as cheias deste ano e os deslizamentos com as práticas agroeconômicas. Há alguma relação de causa e efeito entre elas?

Sonaglio – Acredito que a relação de causa e efeito das cheias ocorridas no Vale do Itajaí e outras regiões abaixo da Serra do Mar, por mais trágicas que tinham sido, não podem ser diretamente relacionadas ao dano supostamente relacionado a atividade do agronegócio e principalmente ao desmatamento.

Os produtores e empresários rurais se queixam do excesso de leis e normas para a área rural, da falta de uma política agrícola que vá além do crédito, etc, etc. Na sua opinião, o vasto mundo da agricultura e do agronegócio é incompreendido pela sociedade brasileira?

Sonaglio – Os produtores rurais são pela natureza da atividade, altamente expostos a riscos incontroláveis que nenhuma outra atividade humana tem como fatores climáticos, queda de safra, riscos de mercado. Estão também produzindo alimentos para os seres humanos e precisam de respeito e apoio com políticas ambientais proativas e justas, pois, não são os vilões da destruição do meio ambiente e também não podem ser os únicos responsáveis pela preservação do meio ambiente do qual, toda a sociedade usufrui. Essa é a grande injustiça que precisa ser reparada. O Código Ambiental que, cremos, será aprovado na Assembléia Legislativa, se preservados os fundamentos básicos, resgatará a dignidade e restabelecerá justiça aos produtores rurais de SC.

Por:

 

Marcos A. Bedin
MB Comunicação
Assessoria de Imprensa
(49) 3323-4244, (49) 9967-4244
mb@mbcomunicacao.com.br

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6 de fevereiro de 2009

Fabricante de pneus é condenada a pagar R$ 1 milhão por acidente de trânsito

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) acolheu os pedidos de indenizações por danos morais e materiais feito por três canoinhenses contra fabricante de pneus, devido a acidente de trânsito ocorrido em abril de 1992, e que tirou a vida dos pais de dois autores - na época menores com cinco e dois anos de idade – e de um jovem que se encontrava no interior do veículo, cuja mãe também pretende ser indenizada.

Cada um receberá R$ 1 milhão, sendo que os irmãos e a mãe do jovem que estava no carro receberão também, respectivamente, pensão de cinco e quatro salários mínimos cada um.

O processo teve início na comarca de Canoinhas, localizada no Planalto Norte de Santa Catarina, sendo que a sentença de primeiro grau, proferida pelo juiz João Marcos Buch, saiu em julho de 2001.

A ação foi proposta por Cícero Voigt Cordeiro Filho, Betina Zaguini Cordeiro e Juvelina Simão Ganen contra a empresa Bridgestone/Firestone do Brasil Indústria e Comércio Ltda.

Os autores disseram que o veículo GM Brasinca Andaluz, dos seus pais, colidiu frontalmente com caminhão Mercedes Bens L-1113, do DNER. Segundo eles, a causa do acidente foi o desprendimento da bandagem de rodagem do pneu traseiro esquerdo da Brasinca, da marca Firestone, fabricado pela ré.

Eles argumentaram que o desprendimento se deu em razão de defeito de fabricação.

Os laudos determinaram o defeito e, fora do Brasil, houve seu reconhecimento pelo fabricante, que promoveu recall de mais de 6,5 milhões de pneus, o que deixou de fazer no Brasil.

O montante das indenizações foi arbitrado com base nas condições sociais e econômicas das partes, na gravidade da ofensa que privou dois dos autores da convivência de ambos os genitores, o alto grau de culpa da ré, o sofrimento dos autores, o afastamento do enriquecimento sem causa, a aplicação da responsabilidade objetiva do Código de defesa do Consumidor, além da função social da condenação no sentido de desestimular a reincidência de casos como este.

Nas três instâncias, foi mantido o valor de R$ 1 milhão para cada um dos autores da ação. As pensões, porém, sofreram redução: 15 (para os irmãos) e quatro salários mínimos (para a senhora Juvelina Ganen) no 1º grau; 10,5 salários mínimos somente para Cícero e Betina no 2º grau; e no STJ, cinco salários mínimos para os irmãos e quatro para a senhora Juvelina Ganen, já falecida.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social da AMC/ESMESC

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Prejuízos no olfato precedem sintomas clássicos no mal de Parkinson

O professor Rui D.S. Prediger, do Departamento de Farmacologia da Universidade Federal de Santa Catarina, desenvolveu estudos que confirmam uma hipótese importante para descoberta da doença antes do aparecimento de seus sintomas clássicos, os tremores musculares. A partir de modelos animais, a pesquisa demonstrou que prejuízos no olfato, e também cognitivos, precedem os problemas motores provocados pela doença.

Os resultados obtidos na UFSC foram apresentados em 2008 no International Symposium on Olfaction & Taste (ISOT). A pesquisa indica que no futuro testes olfatórios poderão ser utilizados para o diagnóstico precoce dessa enfermidade que ainda é considerada incurável - e quanto mais cedo é descoberta, mais chances há de amenizar o sofrimento que causa.

O Parkinson é causado pela destruição dos neurônios que produzem o neurotransmissor dopamina. Essa substância ajuda a transmitir mensagens relacionadas ao movimento dos músculos, garantindo precisão e equilíbrio nas ações. Um dos problemas para seu diagnóstico é que os tremores só aparecem quando a doença já está em fase bastante avançada.

Pesquisas foram realizadas a partir da observação de modelos animais em que ratos foram tratados com a neurotoxina MPTP via intranasal. Os estudos mostraram que essa toxina não fica restrita à área olfativa, mas migra para o cérebro e causa lesões em neurônios. O modelo animal permitiu também que o grupo observasse a sequëncia do avanço da doença.

A pesquisa mostrou que primeiro os animais perderam a capacidade de diferenciar odores. Depois, apareceram problemas para aprender e executar tarefas, numa visível perda cognitiva. Somente mais tarde apareceram os problemas motores.

De acordo com o professor, os estudos relacionando problemas de olfato à enfermidade vêm sendo realizados pois embora a causa primária da doença Parkinson permaneça desconhecida, estudos epidemiológicos têm indicado que a sua incidência pode estar associada à exposição a certas toxinas ambientais, como pesticidas e herbicidas. “Os resultados reforçam a hipótese de que o sistema olfatório pode representar uma porta de entrada para neurotoxinas envolvidas com a etiologia da doença de Parkinson", destaca o pesquisador.

Os estudos levam em conta que tão importante quanto o tratamento, é o diagnóstico precoce. Ao mesmo tempo, dissecando o funcionamento da doença, as pesquisas realizadas na UFSC são um caminho para buscar formas de bloquear o seu avanço.

Por Arley Reis / Jornalista da Agecom/UFSC

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