30 de janeiro de 2010

This is not a natural disaster story. This is a poverty story

Em 14/01/10, no jornal The New York Times, David Brooks ao referir-se à tragédia do Haiti coloca: “This is not a natural disaster story. This is a poverty story.” (Esta não é a história de um desastre natural. É a história da pobreza). Ou seja, esta é a história do desastre da pobreza. Como Brooks justifica sua afirmativa: “Em 17 de outubro de 1989, um terremoto de magnitude 7,0 atingiu a área da baía no norte da Califórnia. Sessenta e três pessoas foram mortas. Esta semana, um grande terremoto, medindo também uma magnitude de 7,0, atingiu perto de Port-au-Prince, Haiti. A Cruz Vermelha estima que entre 45.000 e 50.000 pessoas morreram.”Sabemos hoje que o número de óbitos é mais elevado ainda.

Estamos sujeitos a desastres naturais de toda a ordem como terremotos, ciclones, erupção de vulcões, etc. Os desastres também podem se referir à morte de uma pessoa querida, a doenças que invadem os corpos colocando um limite claro às nossas vidas, a acidentes não provocados por nós, a alterações na natureza. Então, somos assujeitados a uma ordem natural que sempre nos pega de surpresa e, em última instância, impõe a sua presença no nosso dia a dia. Existem coisas em relação às quais nos submetemos, independente da nossa vontade.terremotohaiti

Não podia não ter acontecido o terremoto no Haiti, por exemplo. Porém, fenômeno da mesma magnitude ocorreu também na Califórnia, como coloca Brooks, e o estrago em termos de perdas humanas foi bem menor. O que fez a diferença? Existem pessoas que “entram em parafuso” aparentemente por perderem algo, como uma pessoa, trabalho, beleza, segurança, e outras, ao contrário, em função de motivos semelhantes, dão uma virada nas suas vidas ou inventam outras possibilidades de existir. É possível concluir então que as tragédias não estão nos fatos em si, mas na forma como reagimos a eles.

O Haiti é um país marcado pela pobreza quase que absoluta, poderíamos usar isso como justificativa para tamanho desastre em termos de perdas humanas. Brooks questiona: “Por que é tão pobre o Haiti? Bem, tem uma história de opressão, a escravidão e o colonialismo. Mas o mesmo acontece com Barbados, que está desenvolvendo-se muito bem. O Haiti tem sofrido ditadores cruéis, corrupção e invasões estrangeiras. Mas isso tem a República Dominicana, e atualmente está em muito melhor forma. Haiti e a República Dominicana são partes da mesma ilha, mas a fronteira entre as duas sociedades oferece um dos mais violentos contrastes na terra - com árvores e progresso de um lado, e o desmatamento, a pobreza e morte prematura, no outro.”

Podemos nos questionar então o que torna um país ou uma pessoa mais suscetível do que a outra para fazer frente aos revezes que, quer queiramos ou não, podem fazer parte das nossas vidas? Justificar com um passado inglório não vale. Brooks desmontou essa hipótese, assim como a de não ter condições materiais. O duro é constatar que há situações como o Haiti ou muitas pessoas que conhecemos que parecem não conseguir sair da própria miséria material, moral e psíquica, com pobreza de espírito e/ou falta de condições mínimas para viver uma vida com dignidade.

Quando não conseguem sair disso pensamos automaticamente é necessário apelar para ajuda humanitária, para o altruísmo e o espírito fraterno que felizmente ainda existe. Aplacar as dores, a fome, o incêndio, a destruição com urgência. Porém, apesar de essas medidas serem necessárias em curto prazo, não dão conta de efetivamente resolver os problemas estruturais que mantém o país na miséria política, econômica e cultural e o colocam numa vulnerabilidade sem precedentes diante de qualquer desastre futuro. O mundo rapidamente soube descobrir alternativas para evitar o caos econômico das grandes nações há mais ou menos dois anos atrás, mas não conseguimos (?) ajudar países a saírem de sua condição indigna. Não conseguimos aplacar nem a fome, estruturalmente. Com certeza não é por que não há solução, mas sim por que não há interesses ou ganhos em pensar alternativas para esses povos.

Felizmente vivemos num país que, apesar dos problemas sérios que temos, conseguiu avançar em termos democráticos, econômicos e sociais. Pelo menos não estamos no imobilismo. Resta-nos um mínimo de saúde e de condições que nos possibilitam responsabilizar-nos pelo nosso presente e futuro dentro dos limites que nos são possíveis.

Existem medidas que precisamos tomar com certa urgência para fazer frente às nossas misérias humanas e aos nossos desastres interiores. Sempre existem soluções, embora talvez nem todas contemplem o que gostaríamos. O triste é o imobilismo, é perder as forças. Então, enquanto ainda as temos, nem que seja minimamente, somos responsáveis pela qualidade dos momentos que vivemos ou deixamos de viver.

Por: Návia T. Pattussi/Psicanalista

naviat@terra.com.br

Fonte: MARCOS A. BEDIN/MB Comunicação Empresarial/Organizacional

marcos.bedin@mbcomunicacao.com.br

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27 de janeiro de 2010

Os prejuízos do fluxo ilícito de dinheiro

Em evento realizado pela Dicod, Raymond Baker explicou a estrutura usada para operações ilegais entre fronteiras afirma que fluxo ilícito prejudica países em desenvolvimento. A necessidade de que os países reconheçam os efeitos do fluxo ilícito de capitais sobre os mais pobres foi um dos temas do seminário Fluxos Ilícitos e Sistema Financeiro Internacional Paralelo, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O palestrante foi Raymond Baker, diretor geral da Força-Tarefa sobre Integridade Financeira e Desenvolvimento Econômico e analista do Centro para Política Internacional, em Washington (EUA).

Autor de livros sobre o tema, Baker disse que a motivação básica por trás do fluxo ilícito de dinheiro nos países em desenvolvimento é transferir dinheiro dos pobres para os ricos. “Isso é um fato. O dinheiro sai das mãos dos países onde vive 80% da população mundial para as mãos dos países que têm 20% da população do mundo”, disse. O especialista afirmou que é preciso que o G8 e o G20 reconheçam esse vínculo entre os fluxos ilícitos e o impacto nos países em desenvolvimento.

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Diretor de Força-Tarefa sobre integridade financeira, Baker afirma que fluxo ilícito prejudica países em desenvolvimento(Foto: Sidney Murrieta)

Segundo Raymond Baker, a estrutura sombria que permite esse fenômeno é formada por paraísos fiscais; jurisdições sigilosas, que tornam impossível rastrear os reais donos das empresas; flee clauses, cláusulas que determinam a mudança de domicílio da empresa quando há tentativa de identificar os proprietários; fundações anônimas; documentação falsa; subfaturamento e superfaturamento em importações e exportações; e brechas na lei, entre outros.

De acordo com o especialista, toda essa estrutura é, hoje, utilizada por outros criminosos para movimentar seu dinheiro “sujo”. “Ela foi criada pelos países ocidentais com o objetivo de mover dinheiro entre fronteiras. Nos anos 1960 e 1970, os traficantes de drogas gostaram da ideia e passaram a adotar os mesmos meios para transferir dinheiro ilegal para fora de seus países. Nos anos 1980 e 1990, foi a vez dos gângsteres. Depois, no fim dos anos 1990 e início do novo século, os financiadores do terrorismo seguiram pelo mesmo caminho. Os criminosos não inventaram nada. Eles se aproveitaram de mecanismos que nós criamos.”

Baker diz que não há como parar esses fluxos, mas é possível reduzi-los substancialmente por meio de medidas já adotadas em alguns países. Alguns exemplos são a exigência de identificação dos donos de empresas e de prestação de informações sobre transações internacionais; tratados que permitam a troca automática de informações entre fronteiras e a adoção de regras para evitar o sub e o superfaturamento nas transações de comércio exterior.

Fonte: Agência IPEA

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26 de janeiro de 2010

80% dos motoristas são vítimas de dores nas costas

A maioria dos assentos de veículos, sejam automóveis ou caminhões, não é anatômica e nem ortopédica, causando danos a 80% dos motoristas. A constatação é do médico ortopedista e traumatologista, Joaquim Reichmann, que aponta a incorreta ergonomia e a falta de apoio lombar como imperfeições que prejudicam a saúde dos condutores. “Embora as montadoras dos veículos mais modernos, com as exigências do mercado, já disponibilizam mais conforto e demonstram mais preocupação com a ergonomia, os carros antigos não saíram de circulação e muitos, especialmente, aqueles que tem a direção veicular como atividade profissional, continuam padecendo”, aponta Reichmann.

O médico explica que o banco inadequado não segura o motorista nas curvas, provocando movimentos forçados de lateralidade que também fazem sobrecarga muscular por excesso de tensão. A altura e a disposição da alavanca de câmbio e os pedais também são importantes: de preferência, obolinhass pedais não devem ser muito verticalizados e permitir uma maior extensão das pernas, a alavancade câmbio deve estar ao alcance da mão sem movimentar o tronco.

Os problemas mais comuns que os motoristas sofrem, se tratando de coluna vertebral, são as dores nas costas principalmente na região lombar. Quando se permanece muito tempo sentado, ocorre uma retração muscular (posição fletida) que deve ser compensada durante as viagens com breves paradas para alongamentos.

O tipo de carro e a estrada influenciam, pois os impactos provocados em estradas de chão ou asfalto esburacados vão fazendo microtraumas na coluna vertebral que com o tempo pode provocar osteoartrose (desgaste da coluna vertebral). Se a suspensão do carro é muito dura o quadro pode ser pior, pois os impactos são transmitidos diretamente à coluna vertebral. O assento do carro deve permitir uma postura correta com os braços estendidos e o encosto levemente inclinado para trás.

Reichmann adverte que em relação aos joelhos, como eles ficam em flexão por longos períodos, a pressão entre as cartilagens do fêmur e patela aumentam e pode ser a causa de dor nos joelhos. Por isso, “é importante alongar a musculatura posterior das pernas, com paradas periódicas, pois a retração muscular da posição fletida provoca dor quando se tenta estender as pernas para caminhar”.

O médico cita as posições, ao volante, que mais agravam o problema: braços e antebraços fletidos (dobrados), encosto muito vertical ou muito horizontal, ausência de apoio lombar, falta de ergonomia do encosto do banco para manter a pessoa aderida ao assento nas curvas, pedais muito verticalizados próximo do corpo, mal posicionamento da alavanca de câmbio, que deve ficar ao alcance da mão sem precisar mover o tronco.

Reichmann adverte que o hábito de substituir o volante original por volantes menores, em automóveis esportivos, também é responsável pelo agravamento dos problemas, porque o esforço para fazer manobras é maior: quanto menor, mais pesado o volante. Essa situação também pode provocar tendinite de ombro, devido ao maior esforço para girá-lo.

A postura correta ao volante inclui pernas em extensão incompleta, braços e antebraços em extensão, pés em semi-flexão plantar. O volante deve ter boa empunhadura para permitir uma boa pega e o material deve ser macio e que não escorregue.

Joaquim Reichmann observa que não existe nenhuma comprovação na literatura médica a respeito da eficácia de capas de assento com bolinhas de madeira, muito utilizadas pelos motorista, porém se elas forem muito duras podem machucar a musculatura das costas e provocar dor.

Fonte: MARCOS A. BEDIN/MB Comunicação Empresarial/Organizacional

marcos.bedin@mbcomunicacao.com.br

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